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MATÉRIAS ESPECIAIS | Ignácio Rangel - Vida & Obra


Transcorridos onze anos da morte de Ignácio Rangel, o antigo sonho de um dos maiores economistas que o Brasil já teve tornou-se enfim realidade na noite de 22 de junho de 2005, com o lançamento, em São Luís, de suas obras completas, sob o título de Obras Reunidas de Ignácio Rangel - Editora Contraponto, 1.504 páginas.

Mais que uma homenagem, trata-se de um resgate necessário.

Nascido na cidade de Mirador, Maranhão, no dia 20 de fevereiro de 1914, Ignácio Rangel seguiu uma trajetória de vida no mínimo curiosa. Filho de uma família tradicional, onde tanto o avô quanto o pai haviam sido juízes de Direito, sua profissão parecia definida já do berço. O jovem Rangel, no entanto, tinha idéias próprias e bastante arrojadas: militante político desde a mais tenra idade, filiou-se ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) e não hesitou, logo a seguir, em participar ativamente da Revolução de 1930. Contava então com apenas dezesseis anos.

Um pouco mais tarde, em 1935, voltou a envolver-se com a luta armada, dessa vez integrando as hostes da ALN (Aliança Libertadora Nacional) quando de sua tentativa de golpe. Com o fracasso deste, foi preso em São Luís e enviado para o Rio de Janeiro, amargando dois anos de prisão na capital federal.

Finalmente libertado, retorna a São Luís. Por essa época, parece decido a dar à sua vida uma rumo mais calmo: embora ainda participasse ativamente dos movimentos da esquerda nacional e estivesse proibido de publicar artigos em jornais e revistas, retoma o curso de Direito que havia interrompido e consegue, pouco depois, obter seu título de bacharel.

O ambiente da província era, porém, pequeno demais para suas pretensões intelectuais. Assim, no início de 1945, mesmo estando razoavelmente bem estabelecido como empregado na Indústria Martins & Companhia, uma das mais conceituadas de São Luís, Ignácio Rangel resolve abandonar tudo e seguir para o Rio de Janeiro. Lá, sobrevive fazendo traduções de livros policiais americanos e aprofunda as pesquisas sobre economia que iniciara ainda no Maranhão. Não descuida, todavia, da política: integra os quadros do PCB na célula Theodore Dreiser, onde convive com figuras de proa da intelectualidade brasileira, tais como o escritor Graciliano Ramos, autor de Vidas Secas.

Homem de fortes convicções pessoais, não demora muito e passa a discordar ostensivamente das orientações do partido, sobretudo a que estabelece a reforma agrária como base indispensável para a industrialização do país. Aos poucos, essa profunda divergência ideológica vai afastando-o do PCB: é o tempo em que, por coincidência, começa a publicar um número expressivo de artigos, dando ênfase especial à análise econômica.

As idéias e conceitos que desenvolve nesses trabalhos chamam atenção e, em 1950, indicado por Rômulo de Almeida, Rangel ingressa na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

É o início de uma expressiva trajetória profissional.

Em 1952, exatos dois anos depois de ingressar na CNI, Ignácio Rangel é convidado por Getúlio Vargas, então presidente eleito do Brasil, para integrar sua assessoria, compondo com outros renomados técnicos a equipe responsável pelo projeto de criação da Petrobrás e da Eletrobrás, tarefa, entre tantas outras, que ele executa com argúcia e competência admiráveis.

A experiência técnica de alto nível, adquirida no desenvolvimento de inúmeros trabalhos realizados na assessoria da Presidência da República, fornece a Rangel subsídios precisos para que ele redija sua tese sobre a dualidade básica da economia brasileira, onde inova na análise teórica ao subdividir o conceito marxista de relações de produção em relações internas, que denomina de pólo interno, e relações externas, que por sua vez chama de pólo externo. Confiante, parte para Santiago do Chile, a fim de realizar um curso de pós-graduação no CEPAL.

De volta ao Brasil, em 1955, e com a criação do BNDE, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, Rangel passa a integrar seu quadro funcional, acumulando mais tarde a coordenação do Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek.

Em meio a tantas e tão complexas missões, segue publicando trabalhos de fôlego e realizando uma profunda reflexão sobre a realidade social do país. Em 1957, lança A Dualidade Básica da Economia Brasileira, clássico do pensamento econômico nacional. Declaradamente desenvolvimentista e nacionalista intransigente, Rangel integra-se a um grupo de estudiosos de renome - Hélio Jaguaribe, Nélson Sodré e Cândido Mendes de Almeida, só para citar alguns -, reunidos em torno do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros.

Por todas as qualidades demonstradas nos cargos que ocupa, Rangel é convidado por João Goulart para assumir um posto de relevância em sua equipe de governo. O próprio Rangel relata o episódio: "No dia 20 de fevereiro de 1964 - 40 dias antes do Golpe de Estado (...) - o Presidente João Goulart fez-me chamar à sua presença no Palácio das Laranjeiras. Achava que já era tempo que eu assumisse maior responsabilidade no governo (...) deixava-me a vontade para escolher entre o Ministério Extraordinário do Planejamento e a Superintendência da Moeda e do Crédito: a poderosa SUMOC, atual Banco Central. Eu agradeci efusivamente a lembrança de meu nome."

Mas não assumiu qualquer compromisso com Goulart.

Com o advento do golpe de 64, Rangel recolhe-se ao BNDE, muito embora suas idéias sigam despertando reações favoráveis em meio aos intermináveis debates travados no âmbito do pensamento da esquerda brasileira, que àquela altura dava claros sinais de esgotamento teórico.

Aposentado no BNDE em 1976, Rangel, no entanto, permanece como consultor do banco até quase o final da década de 80, enquanto segue publicando ativamente uma série de importantes artigos em jornais e revistas especializadas em economia. Na privilegiada posição a que se alçou por méritos indiscutíveis, assiste a um intenso processo de reavaliação e resgate de sua imensa contribuição ao pensamento econômico
brasileiro, para o qual contribuiu com clássicos do porte de A inflação Brasileira, de 1963.

Numa justa homenagem - algo tardia, porém - à sua importância como intelectual e pensador, é eleito membro da Academia Maranhense de Letras, tomando posse no dia 29 de novembro de 1991. Ocupa a cadeira de nº. 26, cujo patrono é Antonio Lobo, fundador daquela instituição. É uma curta - mas intensa - retomada de convivência com o Maranhão. Com a saúde bastante abalada, Ignácio Rangel retira-se da vida pública, vindo a falecer em 1994 na cidade do Rio de Janeiro.





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