[Acesso Rápido]
 
[Matérias Especiais]
[Principal]






 
>Blog do Patrimônio
>Brindes
>Busca no Site
>Fale Conosco
>Projetos
>Trapiche
>Mapa do Site
MATÉRIAS ESPECIAIS | Os maranãguaras


Chamavam-se maranãguaras, e eram terríveis guerreiros da grande nação tupinambá: segundo a tradição oral contada pelos mais velhos, e zelosamente transmitida às novas gerações, tinham vindo de muito longe, de um belo país chamado Caeté - onde as florestas eram grandes e o clima, ameno.

Rústicos, de escasso conhecimento sobre quase tudo, não possuíam religião que os inclinasse a praticar algum culto, ou erigir santuários, ou realizar sacrifícios. Mas enterravam seus mortos com respeito e cuidado e sabiam da grande dualidade do Universo: o Bem, personificado por Tupã, e o Mal, na figura de Jeropari. Acreditavam também numa alma imortal, no Paraíso para onde iriam os merecedores de viver para sempre cantando e dançando na maior felicidade, e no Inferno, lugar de tormento dos covardes e dos traidores.

Supersticiosos ao extremo, temiam a imponente voz do trovão, tupã-rerimonhã, e os maus espíritos que povoavam as florestas, lagos e rios. Por isso respeitavam tanto os feiticeiros – pajés - e as suas muitas virtudes divinatórias.

Implacáveis, não perdoavam os inimigos. Capturados, estes eram primeiro cevados, depois pelados, limpos e cortados para serem então comidos com grande selvageria. Mas, uma vez satisfeito o ódio, uma vez aplacada a vingança pela eventual morte de algum amigo ou parente, vomitavam tudo, pois não suportavam o gosto da carne humana.

Seguiam uma antiga tradição: seu chefe supremo era o maior entre os homens, pois a liderança não vinha da hereditariedade nem do voto dos seus conterrâneos, mas sim do mérito pessoal – mandava aquele que possuísse mais escravos, que mais inimigos trucidara, que mais prisioneiros houvesse devorado, que mais mulheres pudesse ter. Mas o chefe não exercia, de fato, qualquer poder de mando sobre o povo, nem possuía autoridade fora da guerra – e guerra havia a todo instante entre as tribos vizinhas.

Aos olhos dos homens brancos da época, seus costumes pareciam liberais demais, licenciosos mesmo: andavam nus, os corpos de pele acobreada totalmente depilados, inclusive as sobrancelhas, e praticavam a poligamia. Na verdade, o casamento entre eles prescindia qualquer tipo de cerimônia – os nubentes apenas se juntavam por mútua vontade, após as famílias terem dado o consentimento –, e podia ser dissolvido se uma das partes assim o desejasse. Não toleravam, contudo, o adultério, que podia ser punido até com a morte.

Embora fossem ferozes na guerra, cultivavam entre si um amor recíproco e bastante intenso, de uma cordialidade aberta, franca, alegre e próxima, tanto que costumavam chamar uns aos outros de pai, mãe, tio, irmãozinho, como se todos fizessem parte de uma única grande família.

E a família era a instituição mais importante para eles, a base de toda sua organização social. Moravam em aldeias – as tabas – constituídas de quatro grandes casas feitas de folhas de palmeira e dispostas num círculo aberto. Moravam juntos nessas casas, que não possuíam divisão interna, nem precisavam: os bens, poucos, pertenciam a todos em comum.

Por dádiva de uma natureza bastante robusta, os maranãguaras vivam longamente; comiam sempre com grande sobriedade e apreciavam uma boa conversa. De comum, os homens solteiros não usavam enfeites, apenas uma liga de algodão onde prendiam coquinhos esvaziados que enchiam com pequenas pedras, como se fossem guizos; os casados, por seu turno, ostentavam um pano de algodão pendente da cintura até o meio das coxas. Só os grandes guerreiros pintavam o corpo e traziam as orelhas furadas, onde despontavam brincos de ossos ou de madeira.

As mulheres eram belas: feições delicadas, cabelos compridos até a cintura, corpos bem proporcionados. Gostavam de se pintar inteiramente de vermelho, a cor do urucu, e de preto, a cor do jenipapo. Furavam as orelhas e escolhiam seus homens entre os mais bravos. Nos dias de festas, punham colares e pulseiras ornamentadas de belas e delicadas conchas, cantavam e dançavam.

A vida que os maranãguaras levavam em Upaon-Açu podia não ser idílica, mas estava longe de ser difícil ou vil. Alimento não faltava – caça, pesca, coleta de furtos variados e o produto das roças que faziam a meia légua de distância das tabas – sempre essa distância, nem mais, nem menos. Criavam aves e animais e dispunham até de uma espécie de vinho, o caju-cauim.

Quando La Ravardière desembarcou na Ilha Grande para fundar a cidade de São Luís, eles eram cerca de dez mil, espalhados em vinte e sete aldeias. Escravizados, mortos e dispersos nos anos que se seguiram, desapareceram finalmente na sangrenta poeira da predestinação dos povos indígenas do Novo Mundo, deixando na memória de seus algozes, porém, nomes evocativos de força, coragem e beleza: Uaré-açu, Mombaré-açu,Tangará, Turu, Eussauap, Itapari, Juniparã, Euaíve....


Matérias Relacionadas

 [Os tupinambás]




NOVIDADES DO SITE
 
Novo Blog

Foi lançado o novo blog do Patrimônio. Mais abrangente, com uma nova linha editorial e novo layout. Clique aqui.
 
Trapiche

A loja do site já está no ar - você já pode adqurir fotos e postais exclusivos
.
 
EM BREVE
 
Central de Notícias

Informação em tempo real numa parceria do Patrimônio com o G1, o maior portal de notícias da América Latina.
 
Site do Burunga

Cruel? Maldosa? E daí? A arte do riso é hilária.
 
Canal Curumim

Um canal com conteúdo todo direcionado para crianças - jogos, diversão, histórias, brindes, piadas e muito mais.
 
+ Projetos
Clique aqui

Principal   |   A Cidade   |   Athína   |   Cultura & Folclore   |   Matérias Especiais
Museu de Imagens   |   Sala de Imprensa   |   Agenda   |   Serviço   |   Novidades
Termos & Condições  |   Política de Privacidade  |  Sobre o Patrimônio |  Anuncie Conosco |  Créditos 
Copyright © Eduardo Abrahão - Todos os direitos reservados