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MATÉRIAS ESPECIAIS | Os tupinambás


Missionário antes de tudo, mas também um homem culto e refinado, o padre Claude d’Abbeville foi cronista de primeira hora da aventura francesa no Maranhão.

Traduzida por César Marques - um dos maiores intelectuais maranhenses de todos os tempos -, sua História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e suas circunvizinhanças é um relato pormenorizado, vivo e arguto não apenas da fundação de São Luís, mas de seus primeiros habitantes.

Sobre o livro, César Marques deixou esse testemunho: “Publicada em Paris no ano de 1614, esta obra, fato brilhante do inegável talento do venerando padre Cláudio d’Abbeville, hoje é raríssima, e, julgando-a uma preciosidade, ainda por isso mesmo não hesitei um só momento em traduzi-la. Escrita por um dos mais ardentes e virtuosos apóstolos da religião do Mártir do Gólgota, que jamais pisou as terras do Maranhão, merece ser lida e apreciada por todos aqueles que, como eu, amam o berço natal ou a terra que lhes oferece pacífica e amiga hospitalidade.”

A seguir, transcrevemos as impressões colhidas por d’Abbeville sobre os naturais da Ilha Grande. Vale notar que, embora nutrido do zelo do naturalista que deseja relatar em pormenores tudo aquilo que observa, ele jamais se afasta muito da concepção européia sobre o que é ou o que não é civilizado e, portanto, superior - no caso, sua própria cultura e seus próprios valores culturais.

Das leis e da polícia dos índios Tupinambás


Antes de vir a fé, na linguagem dos Apóstolos, vivíamos sob o domínio da Lei ainda guardada à espera da Fé, que nos devia ser reveladas.

A miséria porém dos pobres índios Tupinambás foi tão grande, que não tendo eles nem fé e nem religião, não tinham a lei e nem polícia, exceto alguma parcela da Lei da natureza.

Disse Justiniano que
juris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Na verdade, são rigorosos em respeitar o alheio, e, se aparece alguma injustiça, exigem reparação conforme as leis de talião.

Se um sujeito dá noutro uma bofetada, é obrigado a levar outra; se lhe quebra um braço ou outro qualquer membro, há de sujeitar-se a igual destruição ou mutilação, e finalmente, se mata, deve morrer.

Seria boa lei, se tivesse algumas modificações; contudo, o direito natural é imutável.

Se alguma mulher comete o crime de adultério, ou morre, ou é vendida como escrava. Não praticam seus atos de justiça com formalidade ou autoridade pública e sim de fato e mui em particular.

Tem um chefe ou principal em cada aldeia.

Ordinariamente ocupa o lugar de chefe o capitão mais valente, ou o velho mais experimentado, que mais proezas fez na guerra, destruindo e matando muitos inimigos, que tem maior número de mulheres e escravos adquiridos por seu valor, e família grande.

Ocupam este lugar de chefe ou principal, não por eleição pública, e sim somente pela fama adquirida, e confiança nele depositada.

Serve o chefe somente para orientá-los com seu parecer principalmente nas assembléias gerais que fazem todas as noites no meio de suas habitações.

Depois de acenderem bom fogo, que lhes serve de candeia e para acender seu cachimbo, aramam aí suas redes de algodão, e deitados, cada um com seu cachimbo na mão, principiam a orar contando o que se passou naquele dia, e lembrando do que deviam fazer no seguinte a favor da paz ou da guerra, ou para receber seus amigos, ou ir ao encontro de seus inimigos, ou para outro qualquer negócio urgente, conforme as ordens de seu chefe, observadas à risca.

Quando morre algum deles, reúnem-se, choram, como já dissemos, e entoam-lhe louvores. Vestem-no depois com todos os seus vestidos e ornatos, fazem uma cova de quatro a cinco pés de profundidade, curvam o corpo de forma que os pés toquem na cabeça e assim deitam na cova.

No meio de altos gritos e lamentações, cobrem-no de terra, e aí o deixam
.

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