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A CIDADE    |    Ecos do Passado - Flash 07
 
Onde se conta sobre o episódio da quase revolta de 1621

OS JESUÍTAS

Eram chamados de ‘A Cavalaria de Cristo’, e sem dúvida alguma mereciam esse título – não hesitavam diante de qualquer perigo ou dificuldade para difundir a Palavra; não recuavam um milímetro que fosse de suas convicções; não temiam a morte, por mais horrivelmente dolorosa que viesse a ser.

Formados para serem educadores, inventivos, motivados, implacáveis com os inimigos da fé e com os portadores dos maus costumes, os jesuítas viviam e morriam dentro de uma Ordem cuja estrutura de comando lembrava mais uma instituição militar do que religiosa. Mas, na verdade, eles estavam mesmo em guerra aberta e feroz, pois se constituíam na linha de frente da reação da Igreja Católica contra a Reforma Protestante – e sobre seus ombros pesava ainda a imensa responsabilidade de difundir o catolicismo no Ocidente e no Oriente por meio da catequese e da educação do gentio.

Convidados por D. João III, os jesuítas chegaram a Portugal no ano de 1540 - o Reino e suas possessões demandavam, urgentemente, missionários que iniciassem a conversão dos nativos à verdadeira fé, ao temor a Deus e à obediência a El-Rei.

E assim foi: a valente Cavalaria de Cristo logo partiu para as Índias e o Extremo Oriente com a missão de conquistar almas perdidas, restaurar os costumes corrompidos, zelar pelos interesses da Santa Madre Igreja, da Ordem - e, claro, lembrar constantemente a todos os súditos que o poder dos Reis era concedido por Deus, e ninguém a ele poderia se opor, sob pena de cometer heresia e buscar um caminho rápido e seguro para o Inferno.

No Brasil, ela desembarcou em 1549, acompanhando o primeiro governador geral da Colônia, Tomé de Sousa.

 
E NO MARANHÃO

A Companhia de Jesus chegou em 1615, nos navios de Alexandre de Moura - fidalgo da Casa Real e Cavaleiro de S. Bento de Aviz -, a cargo de quem fora oficialmente confiada a missão de acabar com a aventura da França Equinocial em terras do Maranhão.

Desde o início, porém, os padres jesuítas Manoel Gomes e Diogo Nunes se estranharam com a população de São Luís: haviam chegado ao Novo Mundo com a missão de salvar almas, evangelizar o gentio e imbuir nos corações dos homens o justo temor a Deus. Eram ambos severos críticos dos costumes, e a colônia - jovem, selvagem, cheia de impudicícia.

Os colonos, por seu turno, tinham vindo da Metrópole para o agreste do Novo Mundo enfrentar uma vida difícil, perigosa e áspera com o único objetivo de enriquecer o mais rapidamente possível, e a qualquer preço. No caso, o a qualquer preço era pago pelos nativos da Ilha Grande, duramente escravizados nas roças e no trabalho braçal feito de sol a sol.

Não demorou muito para a situação ficar perigosamente instável.

De um lado, os jesuítas não davam trégua, reprovando sempre e com bastante veemência os costumes da Colônia e os trabalhos forçados a que os nativos eram submetidos; do outro, os colonos ficando cada vez mais irritados com as críticas e as censura que eles achavam injustas e desproporcionadas.

 
ENTÃO, EM 1619
Os dois jesuítas deixam São Luís.

A princípio, essa partida inopinada pareceu aos olhos dos colonos uma capitulação tácita da Igreja, um verdadeiro salvo-conduto que enfim legitimava suas ações pela pura e simples ausência de uma oposição constituída que a questionasse.

Apesar da tensa convivência até então mantida, eles, claro, não conheciam muito bem os jesuítas.

Longe de qualquer idéia de capitulação, ou de sequer considerar a possibilidade de transgredir os princípios tão zelosamente defendidos pela Ordem, os padres Manoel Gomes e Diogo Nunes tinham muito simplesmente adotado uma tática diferente, mais sutil e mais efetiva: viajar ao centro do poder mundial e, uma vez lá, obter os meios para mudar tudo o que estava errado na colônia do Maranhão.
 
E O CENTRO DESSE PODER ERA A ESPANHA
Desde 1580, quando as duas coroas ibéricas, Portugal e Espanha, tinham se unificado sob o domínio de El-Rei D. Felipe II, espanhol, e o mundo de então vira ascender um dos maiores e mais poderosos impérios da história da humanidade.

Assim, dispondo dos excelentes contatos providenciados pela Ordem de Jesus, não foi muito difícil para Manoel Gomes e Diogo Nunes conseguirem diretamente de El-Rei as providências que julgavam cabíveis para coibir os excessos praticados em São Luís.

Foi uma vitória retumbante, ainda que empanada pela morte de Diogo Nunes. Sozinho, Manoel Gomes retornou a São Luís no mesmo navio que o levara à Europa e, uma vez na cidade, fechou-se em copas, esperando.
 
E QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA
Diziam os antigos.

Por isso, Manoel Gomes esperou até 1621, ano em que foi designado capitão-mor da colônia o jovem Antonio Muniz Barreiros Filho, que chegou a São Luís para tomar posse do cargo trazendo como conselheiro, e principal assessor, Luís Figueira - um padre. E jesuíta, ainda por cima.

Segundo é normalmente aceito pelos historiadores, a nomeação do novo capitão-mor do Maranhão cabia diretamente a Diogo Mendonça Furtado, Governador-Geral do Brasil, que por seu turno atendera a um pedido direto feito por seu provedor-mor da real Fazenda, que vinha a ser pai do Muniz Barreiros.

Como se vê, tratava-se apenas de um acerto pessoal, feito entre colegas, só que, levando em consideração a pouca idade de Muniz Barreiros, e a grande responsabilidade inerente ao cargo, Mendonça Furtado achou mais prudente nomear uma pessoa de mais experiência para assessorá-lo. E não havia à mão quem fosse mais qualificado para isso que Luís Figueira.
 
OS COLONOS DE SÃO LUÍS, NO ENTANTO

Viram nisso tudo uma grande conspiração – afinal de contas, Manoel Gomes e Diogo Nunes tinham viajado até a Espanha, não tinham? E logo depois disso um novo capitão-mor era nomeado para a colônia, e seu homem de confiança era quem? Um jesuíta.

Houve um clamor geral na cidade – os colonos temiam que um jesuíta assim tão próximo do jovem e inexperiente capitão-mor fosse uma decisiva influência contra seus interesses, sobretudo no tocante à exploração do trabalho escravo imposto aos nativos.

O Senado da Câmara da cidade foi posto contra a parede pela população, e cedeu fragorosamente, exigindo que Luís Figueira regressasse a Lisboa no mesmo navio que o trouxera à cidade – de preferência levando consigo Manoel Gomes.

A exigência foi direta, e feita em termos bastante duros. Os colonos, em vigília, ameaçavam uma revolta aberta e tudo podia acontecer.

 
MAS...
Muniz Barreiros surpreendeu, apesar da pouca idade.

Firme, hábil, enérgico, o novo capitão-mor da colônia conseguiu aos poucos serenar os ânimos, desarmar os espíritos – e para isso contou com a preciosa colaboração do próprio Luís Figueira, e os prudentes conselhos do ex-capitão-mor, Diogo da Costa, que permaneceu na cidade para ajudá-lo nesse momento difícil.

Logo tudo ficou tranqüilo – dessa vez, pelo menos, foi por muito pouco que não se consumou a expulsão dos jesuítas e uma grande revolta popular em São Luís.

O futuro dessa paz, no entanto, era incerto.


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