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Personagens da Cidade - Gomes Freire de Andrade


Eram tempos difíceis e conturbados para o Maranhão.

Sob a liderança de Manuel Beckman, um grande número de conjurados tomara à força o poder na colônia, empreendendo uma ousada ação onde o corpo de soldados da guarda de São Luís foi surpreendido e dominado. Em ato contínuo, o capitão-mor, legítimo representante do poder inconteste de El-Rei na cidade, viu-se preso em sua própria casa e entregue à custódia da esposa.

Os sediciosos voltaram-se então contra o Estanco da Fazenda Real, selando seus armazéns. Os funcionários da Coroa que não gozavam da confiança do movimento foram destituídos de seus cargos e prerrogativas e os padres jesuítas, que há longo tempo eram hostilizados na colônia, ficaram recolhidos incomunicáveis em seu Colégio até serem expulsos definitivamente da cidade.

Enquanto São Luís era abalada por uma insurreição aberta, o Governador Francisco de Sá Menezes permanecia inerte em Belém, limitando-se quando muito em tentar subornar Beckman com a promessa de um perdão geral para os revoltosos e mais a importância de 4.000 cruzados. Ele simplesmente não queria perceber que a situação havia fugido completamente de seu controle.

Mas Lisboa logo percebeu que isso acontecera, e tratou de agir com uma rapidez pouco comum para o seu padrão administrativo colonial: nomeou Gomes Freire de Andrade como novo governador e capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão.

Fidalgo de linhagem, Gomes Freire de Andrade era reconhecido como um homem enérgico e determinado, além de contar com a fama de soldado experimentado em árduas campanhas.

Partindo do Tejo no dia 25 de março de 1685 com cento e cinqüenta soldados de linha, Gomes Freire fez a travessia do Mar Oceano em menos de dois meses, chegando a São Luís no dia 15 de maio. A expedição trazia preso Tomás Beckman, irmão do chefe dos revoltosos, que fora enviado a Lisboa como emissário do movimento.

Em São Luís, Gomes Freire agiu com cautela, pois mais da metade de seus homens havia adoecido durante a viagem. Assim, não ordenou o desembarque imediato de suas tropas, mas recebeu cordialmente os emissários da Junta dos Três Estados e do capitão-mor de Cumã, enquanto enviava espiões para sondar os ânimos na cidade.

Informado de que o movimento revoltoso tinha perdido força e apoio popular, o novo governador recusou as honras que o governo revolucionário quis lhe prestar e mandou o capitão Manuel do Porto ocupar São Luís. Exceto Manuel Beckman, que corajosamente havia assistido o desembarque de Gomes Freire, todos os demais líderes do movimento fugiram.

Logo começaram as prisões.

Manuel de Castro, Eugênio Ribeiro Maranhão e Jorge de São Paio, líderes do movimento, foram capturados, mas Beckman conseguiu fugir no último instante.

Enérgico, Gomes Freire reintegrou aos seus postos todos os funcionários da Coroa que haviam sido destituídos pelos insurretos, restabeleceu o funcionamento do estanco e mandou buscar no Pará os jesuítas expulsos de São Luís.

Tais medidas causaram pânico geral – de certa forma, quase todos os cidadãos da cidade tinham sido coniventes com a revolta de Beckman e dela participado em algum momento. Ninguém se sentia seguro e, na calada da noite, começaram as fugas: São Luís ficou praticamente deserta.

Mas Gomes Freire surpreendeu aqueles que esperavam de si apenas a truculência típica dos velhos soldados – julgando dominada a situação na colônia, mandou publicar a promessa de um perdão geral. O que ele não esperava, no entanto, era que o irmão de Manuel Beckman, Tomás, conseguisse fugir espetacularmente do patacho em que chegara preso ao porto de São Luís e, já na cidade, se refugiasse em uma igreja.

A reação de Gomes Freire foi imediata.

Ignorando o secular hábito de considerar invioláveis os templos cristãos, ele mandou invadir a igreja e colocar Tomas Beckman a ferros em um de seus navios. Ao tomar conhecimento que, de seu esconderijo, Manuel Beckman tramava resgatar o irmão, colocou a cabeça desse a prêmio e fez saber a todos os habitantes de São Luís que puniria exemplarmente quem ajudasse o chefe revolucionário.

Teve início uma caçada implacável e, acuado, Manuel Beckman foi obrigado a fugir para seu engenho no Mearim.

Entrementes, Gomes Freire não se descuidava da parte política de seu governo - mandou fazer uma devassa no estanco que, como esclarece João Lisboa, um dos maiores jornalistas do Brasil no século XIX, consistia “em fazer a Coroa por sua conta o fornecimento de todo aço, ferro, facas e velórios, necessários para o provimento do estado e comércio de resgate, recebendo em pagamento as drogas e produtos do país.”

Como já se suspeitava, eram grandes as irregularidades cometidas ali. Por conta disso, na reunião que mandou convocar com os senadores das Câmaras de Belém e São Luís, Gomes Freire acatou o pedido da abolição do estanco – de certa forma, a rebelião de Beckman ganhara sua vitória moral.

Só que essa foi a primeira e única real vitória obtida pelo movimento.

Preso à traição por um afilhado seu, Lazaro de Melo, Beckman foi trazido a São Luís e condenado à forca – assim como Jorge de São Paio e Francisco Deiró. Segundo testemunho deixado pelo Frei Domingos Teixeira de Morais, Gomes Freire assinou a condenação de Beckman com evidente amargura e piedade – o velho soldado, quem diria, dedicava ao chefe rebelde sincera admiração, reconhecendo suas qualidades e a procedência de sua revolta contra o estanco.

Ainda assim, no dia 02 de novembro de 1685 foi levantada a forca na Praia do Armazém e cumprida rigorosamente a sentença prescrita contra os revoltosos. Tomás Beckman foi mandando preso para o Reino, e os demais envolvidos no movimento foram açoitados e proscritos.

Lázaro de Melo, a quem fora prometido o cargo de capitão das ordenanças da nobreza em troca da prisão de Beckman, viu cumprido o trato, mas seus subordinados recusaram-se terminantemente a obedecer-lhe as ordens. Amuado, ele dirigiu-se a Gomes Freire para cobrar providências, mas o governador, que o desprezava abertamente, disse-lhe que cumprira sua parte no trato – e que o resto, entenda-se, não era mais com ele.

Restaurada a ordem no Maranhão, e cioso de suas de suas altas responsabilidades, Gomes Freire passou a cuidar de suas demais capitanias, que se achavam à época em situação deplorável. Pediu providências urgentes à metrópole e foi atendido. Reprimiu os abusos da nobreza, restituiu às câmaras das capitanias os privilégios que seus antecessores haviam tirado e equilibrou as finanças.

Sob seu comando, a Capitania de Vigia foi reincorporada aos domínios da Coroa. Mandou fundar no Mearim o povoado de Santa Maria e explorou os limites de seu Estado até às terras da Bahia e do Tocantins.

Quando finalmente se retirou para Portugal, em 14 de julho de 1687, esse extraordinário homem da Coroa ainda deixou nos cofres do Estado do Grão-Pará e Maranhão a importância de 40.000 cruzados – um verdadeiro tributo ao mais alto espírito público num tempo onde, via de regra, os funcionários de El-Rei enriqueciam à custa dos cargos exercidos.

 

Veja também

 [Carta de D. Pedro II a Gomes Freire de Andrade]

 

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 [O Enforcamento]



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