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Personagens da Cidade - Padre Antonio Vieira


O padre Antonio Vieira foi um dos maiores escritores da língua portuguesa e, também, um dos mais inspirados e completos oradores da história européia. Nascido em Lisboa a 06 de fevereiro de 1608, cedo emigrou com a família para o Brasil.

Aluno do colégio jesuíta da Bahia - Estado para onde o pai fora nomeado escrivão da Relação -, de início não se destacou como aluno: tinha uma frágil compleição física e o esforço demandado pelas tarefas escolares parecia ser muito superior às suas forças. Mas, aos poucos, seu temperamento enérgico, tenaz, o faz superar todas as adversidades. Por volta dos quatorze anos, começa a ser notado: escreve bem o português e domina com facilidade o latim. É também um crente fervoroso: jejua todos os dias, reza, comunga, conhece profundamente as escrituras. Sua vocação religiosa desperta naturalmente e ele é ordenado sacerdote em 1635.

Na Companhia de Jesus sua função é pregar. Seus sermões são inflamados, belos, magistrais. Quando sobe ao trono português El-Rei D. João IV, depois de longa dominação espanhola, segue para Lisboa na embaixada que vai prestar fidelidade ao novo monarca. Já nessa época é um prestigiado jesuíta, missionário amado pelos índios, Mestre em Teologia no Colégio de São Salvador, e encontrava-se ainda na linha de frente da resistência à invasão holandesa no nordeste do Brasil. A viajem é marcada por incidentes: uma tempestade faz o navio aportar em Peniche, onde a população enfurecida, julgando que um dos membros da comitiva fosse simpatizante dos espanhóis, quase lincha a todos. Salvos pela firme intervenção do conde de Atouguia, conseguem chegar a Lisboa dois dias depois.

Portugal estava então em guerra com a Espanha. O novo soberano buscava em toda Europa apoio diplomático para a sua causa. Aos poucos, Antonio Vieira torna-se íntimo de D. João IV. Seus sermões começam a lhe granjear em Lisboa a mesma franca admiração que alcançara no Brasil. Quando é necessário aumentar os impostos por causa da guerra, há um grande clamor popular: o povo exige que a Igreja e os nobres contribuam igualmente. Vieira é chamado a apaziguar a situação: numa prédica notável, proferida na Igreja das Chagas, demonstra a necessidade da medida. A situação é contornada e ele torna-se conselheiro de El-Rei. Sua vasta cultura o habilita a opinar sobre os mais diferentes assuntos, inclusive militares. Vem dele o conselho para Portugal adotar uma estratégia defensiva no conflito que mantém contra a Espanha, pois acha que a guerra ofensiva seria desastrosa. Isso é feito e, tempos depois, o Reino emerge vitorioso da contenda.

Vieira é então nomeado pregador régio, homem de confiança de El-Rei, e nesse papel planeja reformas de grande alcance - conta com a simpatia de D. João IV, mas a nobreza passa a combatê-lo, temendo perder os privilégios que possui. Ao propor que a própria Inquisição em Portugal fosse reformada, atrai o ódio dos dominicanos, e mesmo em sua ordem religiosa depara-se com restrições às suas idéias. Em 1644, a Companhia de Jesus ordena que ele retorne ao Brasil, mas El-Rei impede o cumprimento dessa determinação. Vem a ameaça de expulsão da ordem, o que equivaleria a colocá-lo nas mãos do Santo Ofício. Novamente El-Rei intervém, oferecendo-lhe um bispado. Mas Vieira humildemente recusa: seu desejo é permanecer na Companhia.

Para não ofender El-Rei, a Companhia de Jesus suspende a ordem de expulsão de Vieira, mas a Inquisição segue-o por toda parte. Quer apanhá-lo de qualquer jeito.

Em 1647, D. João IV envia-o em uma missão secreta à França e à Holanda. Ao retornar, segue defendendo os cristãos novos - judeus convertidos ao cristianismo - das perseguições do Santo Ofício.

É um tempo de dificuldades extremas para Portugal: a guerra com a Espanha prosseguia sangrenta e grande parte do nordeste do Brasil achava-se sob domínio holandês. Para piorar, Castela ameaçava invadir o Reino. Vieira é chamado a encontrar uma saída diplomática para essa situação desesperadora, e ele propõe que o príncipe herdeiro de Portugal se case com a herdeira do trono de Castela. A idéia malogra, e logo a seguir Vieira cai no desagrado real ao instigar o príncipe herdeiro a visitar a zona de guerra sem o consentimento do pai.

Era o momento esperado pela Companhia de Jesus. Em novembro de 1652, Vieira é mandado para o Maranhão. Dessa vez, D. João IV não se opõem à sua partida.

O que assim poderia parecer um desterro puro e simples, aos poucos enche a alma de Antonio Vieira de contentamento, pois se trata do retorno à sua vocação missionária. E é de um missionário do seu porte que São Luís - para onde ser dirige - precisa.

A cidade era então um importante centro das armas portuguesas no norte do Brasil, mas os colonos tinham uma conduta moral comprometida apenas com o enriquecimento rápido e sem medidas. No geral, eram impiedosos com os nativos, que submetiam a uma brutal escravidão. A licenciosidade imperava.

Vieira lança-se à luta. Em seus sermões, ataca violentamente a liberalidade dos costumes, condena a escravidão dos índios, escreve cartas e relatórios a El-Rei denunciando os crimes que presencia. Com isso, atrai o ódio dos governantes e dos colonos, mas não se detém. Sua vontade é férrea e impulsiona o corpo frágil. Dedica-se febrilmente a minorar o sofrimento dos desvalidos, visita presos, funda um hospital, reparte seus alimentos com os muitos famintos e ao mesmo tempo fulmina vícios, condena a luxúria. Vergasta São Luís com seu apostolado de fogo e escreve. Escreve muito: a cidade o inspira com sua beleza conspurcada pelos maus costumes da população. Aqui termina um livro, Esperanças de Portugal, e é aqui, na catedral, que profere o seu mais belo sermão, o de Santo Antonio aos Peixes.

Em 1654, embarca escondido para Lisboa. Quer convencer El-Rei a editar decretos capazes de erradicar o estado de degradação moral da colônia. A viagem é acidentada, mas ele chega enfim a Lisboa, onde D. João IV, embora muito doente, o acolhe calorosamente. O monarca quer o missionário ao seu lado, mas Vieira é odiado na Corte - segue fazendo seus sermões causticantes contra a sociedade portuguesa e contrapondo-se aos poderosos.

El-Rei, num gesto inesperado, entrega a Vieira um decreto onde consta que apenas os jesuítas teriam jurisdição sobre os índios, o que implicava dizer que as autoridades da colônia jamais poderiam intervir nas missões, nem tampouco transformar os nativos em escravos. É um reconhecimento que o monarca presta ao amigo fiel.

Emocionado, Vieira decide então retornar a São Luís.

Sua ação missionário intensifica-se. Incansável, está em permanente viagem pelo interior do Brasil, e ele próprio considera essa época a mais feliz de sua vida. Sabe-se lá como, ainda encontra tempo para publicar seus sermões.

Ocorre, porém, que D. João IV morre, e um novo governador é nomeado para o Maranhão. Os colonos e roceiros de São Luís, que estavam em permanente estado de guerra com os jesuítas, iniciam um motim, assaltando a sede da Companhia de Jesus na cidade. A rebelião se espalha como fogo, chegando até Belém, onde a casa da ordem é invadida. Preso com outros missionários, Antonio Vieira é também submetido a insultos e humilhações. Em 1661, todos são expulsos do Brasil e despachados para Lisboa.

Na Corte, é recebido com amizade pela viúva de D. João IV, mas logo seus inimigos reagem e ele é desterrado para a cidade do Porto. A Inquisição está em seu encalço. Deseja voltar ao Brasil, mas é impedido - preso nos cárceres do Santo Ofício, fica gravemente enfermo.

Em 1667, a Inquisição condena Vieira a ser "privado para sempre de voz ativa e passiva e do poder de pregar, e recluso no Colégio ou Casa de sua religião, que o Santo Ofício lhe ordenar, e de onde, sem ordem sua, não sairá." Posteriormente é libertado e enviado a Roma, onde granjeia simpatia por conta de sua personalidade exuberante - Cristina da Suécia convida-o para ser seu confessor, mas Vieira recusa: quer voltar para o Brasil. Antes, consegue que sua condenação no Santo Ofício seja revista e o próprio Papa o declara isento perpetuamente da jurisdição inquisitorial. Doente, faz a última compilação dos seus Sermões e parte para o Brasil.

Velho, cansado, Vieira mesmo assim é designado Visitador-Geral da Companhia de Jesus e volta a peregrinar pelo sertão brasileiro, evangelizando os povos. Mas sua saúde piora e ele renuncia ao cargo. Em silêncio, o maior orador da língua portuguesa morre em Salvador, Bahia, a 18 de julho de 1697.


Veja também

 [Trecho do Sermão de Santo Antonio aos Peixes]

Matérias relacionadas

 [A Companhia de Jesus]
 [A Inquisição]




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