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Personagens da Cidade - Padre Malagrida


O padre Gabriel Malagrida nasceu em 18 de setembro de 1689 na Vila de Managgio, Itália, e desde muito jovem demonstrou possuir uma personalidade forte, engenhosa e mística. Saindo de sua aldeia natal, completou os estudos em Milão, após o que entrou para a Companhia de Jesus, tornando-se jesuíta na cidade de Gênova em 27 de setembro de 1711.

Decidido a servir nas missões de sua ordem, padre Malagrida deixou Gênova em 1721 e seguiu para o Maranhão, onde seus superiores o designaram para levar a palavra de Deus aos gentios. Dois anos depois de sua chegada ao Estado, foi nomeado para o posto de pregador do colégio jesuíta do Pará, onde ficou encarregado dos alunos. Mesmo assim não descuidou de sua vocação missionária, visitando regularmente as aldeias próximas do colégio. Logo depois recebeu instruções no sentido de retornar ao Maranhão, onde foi escolhido reitor da missão dos tabajaras. Conviveu com os índios por três anos e não raras vezes correu sério risco de vida.

Mas a morte era algo que Malagrida não temia, chegando mesmo a afrontá-la destemidamente: julgava-se um escolhido dos céus, um predestinado. Seu caráter místico, que sempre fora forte, tornou-se mais acentuado, e nas narrativas de suas missões era constante a referência a vozes misteriosas que a todo o momento o avisavam de perigos iminentes, dando-lhe assim chance de safar-se incólume.

Fervoroso, convencido dos altos designíos de seu trabalho evangelizador, lançou-se na catequese dos Barbados, uma das mais ferozes e temidas tribos de índios do Estado do Grão-Pará e Maranhão. Não só foi bem sucedido na empreitada como conseguiu estabelecer uma missão. Voltou-se a seguir para os colonos, sobretudo os de São Luís, sempre em litígio com a sua ordem. Era um pregador inflamado. Viajou para a Bahia e Pernambuco, retornando depois ao Maranhão. Pela força da fé mística que mostrava aos fiéis, passou a ser chamado de Apóstolo do Brasil.

Em 1749, parte para a Europa em busca de dotações para os muitos conventos e seminários que fundara. A fama de santo segue-o de perto, e como um santo da Igreja é recebido em Lisboa. Mesmo doente, El-Rei D. João V o acolhe calorosamente: julgava-o também um santo, e nesse estado de espírito tão receptivo faz todas as concessões desejadas pelo missionário. Chama-o para junto de si, e Malagrida assiste aos últimos momentos do monarca neste mundo.

Não demora muito para a vida na Corte inquietar Malagrida: sua missão é o apostolado. Mas ele não pensava mais na catequese do gentio, e sim na pregação tão necessária aos colonos. Com esse objetivo em mente, embarca de volta para o Brasil, só que não é bem recebido no Pará, onde à época governava o irmão do Marquês de Pombal, inimigo ferrenho da Companhia de Jesus. Seu destino é, novamente, São Luís.

Na cidade, não descansa de sua missão. Determinado, decide construir um recolhimento para as órfãs e senhoras desvalidas, além de uma capela, ambas sob a invocação de Nossa Senhora da Anunciação e dos Remédios. Ergue-as quase com as próprias mãos. Quis também fundar um seminário, mas nisso não obteve a permissão do Bispo, que alegou ser essa uma atribuição do prelado, conforme estabelecia o Concílio de Trento. Sua obra de caridade é admirável, extensa, mas suas palavras de fogo ferem os ouvidos dos ricos e poderosos.

Quando parte de novo de São Luís, Malagrida deixa para trás uma legião de admiradores fervorosos e de inimigos implacáveis. Segue para Lisboa em 1751, atendendo ao chamado de D. Maria da Áustria, viúva de D. João V, mas não consegue aproximar-se da soberana - é impedido por Pombal, efetivo mandatário do Reino cujo sonho era livrar o país da influência exercida pela Companhia de Jesus. Malagrida vai para Setúbal e logo depois é informado da morte da soberana. Foi deixado em paz: Pombal não se importava realmente com sua pregação, desde que ela não fosse de encontro aos seus projetos para Portugal. Mas o choque entre os dois era inevitável, e aconteceu no cenário de devastação provocado pelo grande terremoto que arrasou Lisboa em 1755.

Em meio ao pânico e à dor causada por essa tragédia, sobressaiu-se a vontade de ferro de Pombal. Enquanto providenciava a reconstrução da cidade, ele procurou também infundir ânimo na população tomada pelo terror. Por meio de folhetos, fez ver que o terremoto não fora de modo algum um castigo de Deus, mas sim um acidente da natureza que dispensava penitências e compunções.

Foi o que bastou para o caráter místico de Malagrida inflamar-se. Furioso, ele fez publicar um outro folheto que em tudo se contrapunha às idéias disseminadas por Pombal. O terremoto fora, sim, um castigo de Deus à impiedade dos homens. Condenou com virulência os que trabalhavam febrilmente para reerguer a cidade e os que levantaram abrigos provisórios nos campos próximos. Era preciso, antes de tudo, fazer procissões, penitências e cumprir o recolhimento e a meditação, conforme prescreviam os exercícios de Santo Ignácio de Loyola.

A reação de Pombal não demorou muito: Malagrida doi desterrado para Setúbal. Recolheram e queimaram todos os folhetos que ele mandara imprimir.

Imbuído uma vez mais de seu fervor místico, e de certa forma acreditando que seu prestígio pessoal o protegeria de qualquer ameaça vinda da parte do poderoso Pombal, Malagrida escreveu uma carta aberta, eivada de ameaças e condenações às maiores autoridades do Reino. Só que os tempos que corriam eram negros. El-Rei havia sofrido recentemente um atentado contra sua vida e a carta do velho missionário foi lida num contexto político marcado por uma brutal repressão.

Malagrida foi preso em 11 de janeiro de 1759, considerado réu de lesa-majestade. Por trás, manobrava o implacável inimigo de sua ordem religiosa: o Marquês de Pombal. Entregue ao Tribunal do Santo Ofício e julgado num processo vergonhoso, foi considerado herege, heresiarca, pertinaz, convicto e confesso. Condenado à pena capital, foi garroteado e queimado na fogueira no dia 21 de setembro de 1761.


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