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ATHÍNA | O discurso do senhor des Vaux


O texto abaixo é de autoria do Padre Claude d’Abbevile, da ordem dos capuchinhos, que acompanhou a missão de La Raravardière ao Maranhão em 1612 – e está registrado em seu livro História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e suas circunvizinhanças, editado pela primeira vez em Paris em 1614.

Principal personagem do texto, Charles des Vaux, francês, conhecia a Ilha Grande do Maranhão desde 1594, quando nela desembarcou com as forças do corsário Jacques Riffault, que o nomeou depois responsável pela feitoria ali fundada.

Espécie de embaixador francês junto aos índios, des Vaux dominou-lhe os costumes e o idioma, sendo de capital importância para o sucesso inicial da expedição de La Ravardière.


DISCURSO FEITO PELO SR. DES VAUX AOS ÍNDIOS TUPINAMBÁS, NA SUA REUNIÃO GERAL, AS SUAS RESPOSTAS, E MAIS ALGUMAS COISAS NOTÁVEIS

Meus Amigos: Bem sabeis como tendo vivido muitos anos convosco, me pedistes para ir à França fazer conhecida de nosso grande rei a necessidade que tínheis do auxílio dos franceses, não só para defender-vos da invasão inimiga, mas também para sustentar o comércio de gêneros de que tendes necessidade.

Afiancei satisfazer vossos desejos, contando que me prometêsseis receber a Lei de Nosso Deus, sem o que nunca desejariam os franceses morar convosco, deixar os maus costumes introduzidos pelo Diabo, verdadeiro inimigo do gênero humano, entre vós, para perder-vos inteiramente, e tomar para vosso soberano o rei da França, submetendo-vos a seu domínio e às suas leis santas e próprias para conservar vosso país, e aumentá-lo com todas as grandezas e prosperidades.

Já há anos passados, o nosso grande rei de mim ouviu vossas boas disposições para com deus, a abraçar o cristianismo e sujeitar-vos à Sua Majestade.

Ele mandou ter convosco o Sr. de La Ravardière, fidalgo valente, para conhecer vossas intenções e a posição de vossa terra, e reconhecendo ser verdade o que eu disse, abunda em minhas idéias.

Por tudo isto, este poderoso rei, grande, magnânimo e corajoso, compadecendo-se de vós, mandou o Sr. de Rasily, também fidalgo e valente, conjuntamente com o Sr. de La Ravardière, trazer-vos quatro pai ou profetas para instruir-vos, batizar-vos e fazer-vos filhos de Deus.

Mandou também franceses a fim de defender-vos de vossos inimigos, e gêneros se negociar convosco.

No caso de quererdes cumprir vossa palavra, recebereis a Lei de deus por meio dos padres, e o governo dos franceses, por um chefe que aqui residirá, o Sr. de Rasilly, e depois de haver ele observado o vosso país e reconhecido vossa vontade, voltará para a França com um dos padres, ficando contudo o Sr. de La Ravardière, seus dous irmãos, seus bons amigos, e soldados, e dentro em pouco tempo regressará com grande número de padres e de profetas, que morarão em vossas aldeias para instruir-vos, e a vossos filhos, no conhecimento do verdadeiro deus, autor de todos os bens; de soldados para defender-vos de vossos inimigos, e de artistas para povoar vossas terra, e fazê-la feliz, ficando de ora em diante uma só nação a França e a vossa pátria.

Ele e seus irmãos ficarão em lugar de vosso principal chefe. Por sua vez, o Sr. de La Ravardière, depois de haver trabalhado muito em vossa terra, regressará à França, onde cuidará de mandar ao Sr. de Rasilly e aos franceses gêneros para estabelecer um comércio não interrompido entre a França e vós.

Acabado este discurso, Japiaçu, o principal de Juniparâ e de toda a Ilha, tomou a palavra e disse ter sempre sido amigo dos franceses, e neles reconhecer a conversação muito mais agradável e branda do que nos pêros; que sempre desejou estar sob sua proteção e sujeição, pelo que muita satisfação experimentou com a chegada deles, e com a notícia de terem vindo para aqui fixarem sua residência, constituindo a França e a sua terra uma só nação, como tanto haviam desejado, jurando nunca faltarem à sua palavra de reconhecerem como soberano o Rei da França, de submetem-se a suas leis e domínios, obedecendo à autoridade que lhe for mandada para aqui residir e os defender de seus inimigos.

Em relação à lei de Deus, disse que estava infinitamente contente por lhe haver o grande rei de França mandado padres e profetas, a fim de ensiná-los e instruí-los, visto desejarem há muito tempo professar o cristianismo, como haviam prometido ao dito Sr. Des Vaux, especialmente quando regressou à França para, da parte deles, asseverar isto ao Rei.

Na verdade, disse ele, bem sabemos haver um Deus, criador da natureza, que fez o céu e a terra e todas as coisas existentes.

Cremos que este deus é bom, e que nos dá o que temos e que precisamos. Porém não sabemos como conhecê-lo, como ele é, é preciso servi-lo e adorá-lo.

Conhecemos muitos franceses que aqui estiveram negociando conosco por algum tempo, porém nenhum nos ensinou estas coisas.

Esperamos agora aprender tudo isto dos padres que vieram de França, e sentimos só quem sejam quatro, quando desejamos que fosse maior o número deles para residirem em todas as nossas aldeias, e instruir-nos e a nossos filhos.

Como agora não é possível realizar-se este meu desejo, esperamos que vá para França o buruuichaue com um dos padres para nos trazer mais, e bem desejo que, dos que aqui ficam. Vá um para a aldeia de Juniparã, onde lhe edificaremos uma casa, e junto dela uma ermida, no centro de nossa moradia, e fica a nosso cuidado sustentá-lo e dar-lhe todo o necessário.

Mandaremos nossos filhos aprender com ele, e, quanto a mim, entrego-lhe desde já meus quatro filhos a fim de serem batizados, e por este meio ficarem filhos de Deus.

Finalmente disse ser seu desejo que os dois padres, aí em visita, plantassem outra cruz (além da primeira) no meio da aldeia de Juniparã, como testemunha da aliança eterna com Deus, jurando solenemente receber o cristianismo, e renunciar Jeropari.

Foi esta resposta confirmada pelos outros principais e pelos velhos aí presentes, confessando-se contentes pela vinda dos franceses, e especialmente pela chegada dos padres, a quem desejariam entregar seus filhos para serem instruídos e batizados, e isto como que em desafio para ver quem melhor o faria.

Entre outros, Acaiuí, pai do menino de que já falei, disse logo que entregaria não só esses como todos os mais ao pai-eté, isto é “aos grandes profetas que tinham chegado.”

Quando chamado, Jacopém disse que logo pela manhã iria ao mato cortar uma árvore grande para fazer a cruz que se deveria levantar em Juniparã, que ele e seus filhos se incumbiriam de fazê-la, sem auxílio de mais alguém, e assim cumpriu na manhã seguinte.

Logo outro prometeu fazer da capela uma casa para a moradia do padre.
Este obrigou-se a ir ao mato caçar pacas, cutias e tatus, para sustentar o padre,; aquele a pescar, aquele outro a trazer-lhe os primeiros produtos da sua roça, como primícias.

Eu (disse o índio Tecuare Ubuí) de agora em diante desejo viver como os padres, trazer um vestido pardo como eles, só possuir o mesmo que eles têm, andar com a cabeça baixa e olhando para o chão, como eles, não quero mais saber nem de raparigas e nem de mulheres, nem morar com elas, enfim quero viver e proceder como eles.

Achava-se presente o menino Acaiuí-Mirim (de quem já falamos), e, ouvindo estas palavras, atilado e com gravidade ou modéstia ordinária, disse imediatamente a Tecuare Ubuí:

Dizes que queres viver como os padres e que não cuidas mais de mulheres como eles o fazem, porém não cumprirás tua palavra.

Tu as deixarás por uma ou duas luas, mas, quando ficares angaiuar (quer dizer magro – não há moléstias que eles mais temam do que o emagrecimento), irás procurá-las, como antes fazias.

Não podes continuar a viver com os padres, porque estás velho; nós sim, que somos moços, podemos viver bem imitando-os.

Riram-se todos os velhos e anciões ali presentes da resposta do menino, admirados dela, como mais o próprio de um homem do que de uma criança, de um cristão do que de um pagão ou de um selvagem, do espírito de Deus do que da humanidade.

Terminada a reunião, retiraram-se todos contentes; e nós extremamente consolados por havermos conhecido a disposição deste povo para abraçar o cristianismo na Igreja de Deus.




















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