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ATHÍNA | Questão Religiosa - 1625


O texto que vem a seguir, extraído dos Anais Históricos do Estado do Maranhão, de autoria do Capitão General Bernardo Pereira de Berredo - governador dessa Província ente 1726 e 1729 -, relata o clima de tensão existente entre os colonos maranhenses e o Padre Frei Cristóvão de Lisboa, Visitador Eclesiástico e Comissário do Santo Ofício.

O conflito entre as partes, que vinha fermentando lentamente, acirra-se com a publicação, em 15 de março de 1625, de um Alvará de Frei Cristóvão – por meio do qual era retirado o poder dos colonos sobre a administração dos índios.

A situação, contudo, torna-se realmente perigosa para a paz da colônia quando, nos desdobramentos dos fatos, Frei Cristóvão divulga em 21 de dezembro de 1625 um edital de excomunhão sumária para todo aquele que desobedecesse a seu Alvará.
A reação é imediata – e ecoam as trovoadas de uma revolta aberta, como se vê.


543. Era ardente o zelo, e grande a fortuna, com que o Padre Fr. Cristóvão de Lisboa continuava a conversão dos bárbaros tapuias dos Tocantins, quando o inimigo do gênero humano, que sentia já a cruel guerra, que lhe fazia, intentou a sua oposição; e empenhando nela as formidáveis forças de sua malícia como tinha sido o índio Tomajica, o que facilitou aquela entrada, sugeriu a outros de diferentes nações, que persuadissem ao custódio com toda a eficácia se não fiasse dele; porque traidoramente lhe dispunha a morte na sua mesma aldeia a que o conduzia; mas este verdadeiro missionário, que buscava só os santos exercícios da sua vocação, desprezou de sorte com a constância do seu espírito apostólico tão horrorosas máquinas, que arruinadas todas com um total desprezo de tamanho perigo, tomou o porto da tal povoação, onde as demonstrações, com que foi recebido daquele principal, abonaram bem a fidelidade de seu ânimo.

544. Tinha três praças esta grande aldeia, nas quais o custódio arvorou três cruzes com tão festivos alvoroços daqueles bárbaros, que pareciam já veneração a tão alto mistério; e entrando logo na importante fábrica de uma igreja, como as madeiras, e palmeiras-bravas, que eram os materiais de que se compunham, lhe estavam à porta, quando ajudava muito o seu eficaz zelo um copioso número de obreiros, empenhados todos na sua lisonja, com poucos dias de trabalho se acabou a obra, onde se celebrou a primeira missa com tal acatamento de tantos gentios, que cada dia se abrasava mais este religioso nos ardentes desejos de sua conversão; mas depois de lograr com santa complacência a de alguns adultos, e de administrar o sacramento do batismo a muitos inocentes, para segurar a constância de todos nas disposições, em que os deixava, a cada um dos principais pediu (como reféns), um de seus filhos, que lhe entregaram sem a mais leve repugnância; e como também se queria servir destes instrumentos para facilitar na comunicação daquelas aldeias a geral redução dos seus habitadores ao grêmio da Igreja, se recolheu com eles ao Pará cheios de alegres esperanças.

545. No dia 3 de outubro chegou à povoação do Camutá, donde continuou sua viagem até sua residência na aldeia de Una; e como em toda a parte tinham corrido as melancólicas notícias, de que os bárbaros índios tocantins aleivosamente o esperavam para lhe dar a morte, a todos os mais da sua companhia, em vingança de antigos agravos de outros portugueses; os empenhados alvoroços, com que foi recebido, autorizaram bem as estimações da sua pessoa no geral da capitania.

546. Com poucos dias de descanso passou à cidade de Belém, ainda em dependências da sua visita; e continuando no exercício delas, fazia crescer sempre a veneração das suas virtudes; mas como se lembrava da muita repugnância com que assinara o termo sobre a suspensão do devido efeito do alvará real, que revogava todas as mercês das administrações das aldeias dos índios, recolhendo-se em 21 do mês de dezembro ao hospício de Una, para caminhar logo para a cidade de São Luís,; no mesmo dia, que era domingo, mandou publicar uma pastoral na igreja matriz com a cominação de excomunhão maior a todos os que tendo as tais administrações, se conservassem nelas.

547. Foi recebida esta novidade com tão geral escândalo, que os ministros da câmara, para segurarem o sossego público, que viram perigoso, chamaram logo todos os homens bons, assim políticos, como militares, e lhes propuseram no mesmo tribunal: Que em 14 de maio presentara nele o Padre Fr. Cristóvão, como todos sabiam, uma provisão, que proibindo absolutamente as administrações da Capitania do Maranhão, não falava naquela conquista do Pará, distribuídas pelo Capitão-Mor Bento Maciel: que também avisando o Ministério de Madri de tal repartição, não tinha recebido até aquele tempo resposta alguma com a notícia dela, e decerto em contrário; razão porque assentaram, que venerando todas a nova lei, e decreto em contrário; razão porque assentaram, quem venerando todos a nova lei, se diferisse o seu cumprimento até a chegada do governador-geral do Estado, que se esperava por instantes, para que ele tomasse a resolução, que lhe parecesse mais conveniente, a que resignavam a sua obediência, por mais que entendiam, que nas administrações da capitania de São Luís se não podiam compreender as do Grão-Pará; não se fazendo destas expressa menção, por serem ainda inteiramente separadas pela diversidade, e independência dos governos; e que conformando-se com tão justo acordo, o Padre Fr. Cristóvão como bem se mostrava pela continuada paciência de sete meses, parecia que na presente alteração, além de desprezar o sossego público, procedia de poder absoluto com gravíssima ofensa da autoridade real. Também não atendendo, a que sem uma nova, e positiva declaração da corte, cabalmente informada, de nenhuma sorte se devia cumprir aquela provisão, quando encaminhando-se, como se via dela, a benefício dos tapuias, se reconhecia na sua execução o seu maior dano, assim espiritual, que preferia a tudo, pelo imponderável, e quase infalível a que se condenavam as suas almas na separação do grêmio da Igreja (porque postos, como dispunha a lei, na sua liberdade absoluta, de novo abraçariam a barbaridade dos primeiros costumes); como temporal, que não era de menos importância, envolvendo o primeiro; pois restituindo-se aos seus antigos domicílios, se consumiriam nas contínuas guerras, de que se alimentava a sua fereza, fazendo pato dos vencidos com lastimoso escândalo da racionalidade; o que tudo confirmava bem com o sucesso do estado do Brasil, onde por falta de administrações se tinha reduzido a quase nada o imenso número daquele gentilismo, sendo, como era, muito menos bárbaro. À vista do que, e de outras razões da mesma qualidade, que não ignorava Padre Fr. Cristóvão, claramente se via, que procedera ele na fulminação daquelas censuras com notória violência, oprimindo com elas uns tão leais vassalos do seu príncipe, que havia três anos, que tão combatidos de trabalhos domésticos, como de inimigos, assim naturais, como estrangeiros, se sustentavam só da mesma constância, defendendo as terras, de que tinham sido descobridores, conquistadores, e povoadores com grande glória da nação portuguesa, sem mais outros socorros, que os da sua grande fidelidade; e que em lugar deles, os punha na sua última consternação o tal religioso, impossibilitando-se-lhes a sua subsistência por todos os caminhos com a separação daqueles tapuias, que também eram sempre a principal defensa da conquista, pelas suas forças, e conhecimento do terreno; não advertindo do mesmo modo, que as administrações se distribuíram com os mais prudentes pareceres, sendo entre eles muito especiais o do padre frei Antonio da Merciana seu antecessor, e o do Padre Vigário Manuel Figueira de Mendonça; e que a grande ânsia com que procurava a sua extinção, apropriando-se o temporal governo delas (que no espiritual ninguém duvidada), se representava a mais escandalosa.

548. Pareceram muito fundamentais estes discursos a todas as pessoas, de que se compunha aquela grande junta; e penetradas deles, uniformemente resolveram, que se pedisse com a mais reverente submissão ao Padre Fr. Cristóvão, que removesse seu monitório, deixando tudo no primeiro estado até a positiva declaração da corte ou chegada do novo governo; mas que se desprezando estas atenções, continuasse à força, agravando as censuras, se apelasse delas, protestando os danos, que podiam seguir-se; porém ele, feita a diligência, ou convencido já das nervosas razões de tão formal proposta, ou justissimamente temeroso da sustentação da sua negativa no presente sistema, desistiu logo dos seus procedimentos; e restituído aquele povo à sua antiga tranqüilidade, mereceu também por esta moderação universais aplausos.





















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