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A CIDADE    |    Ecos do Passado - Flash 03
 
Onde se conta os preâmbulos da Guerra
de Independência no Maranhão

NASCE UMA NAÇÃO

Quando os primeiros colonos portugueses desembarcaram no Brasil no alvorecer do século XVI, ainda era forte a crença, entre os europeus, na existência de um paraíso terrestre semelhante ao descrito na Bíblia.

Paraíso ou não, o fato é que esses primeiros colonos se depararam com um continente imenso, coberto a perder de vista por uma floresta ancestral e inexplorada - cheio de riquezas, por certo, mas também cheio de perigos. Ao se lançarem destemidamente à conquista dele, contavam com poucos recursos além dos braços, da coragem e da sombria tenacidade dos que ousam. Sabiam que estavam por conta própria e nada esperavam do mundo anquilosado que haviam deixado para trás: preso ainda aos velhos tabus medievais, esmagado pela mão de ferro do absolutismo dos soberanos e da Igreja.

A epopéia que empreenderam foi assombrosa, sangrenta e desesperada. Mas eles conseguiram domar a terra, subjugar os nativos, expulsar os invasores, enriquecer.

Ao mesmo tempo em que lutavam para construir um novo tipo de vida, e por vezes se pegavam ainda sonhando o sonho já distante de reunir fortuna e retornar para o Reino - como alguns deles eventualmente o fizeram -, os colonos não perceberam de imediato que haviam forjado na adversidade uma nova maneira de pensar, uma nova personalidade - livre -, e que não eram mais europeus, mas sim cidadãos do Novo Mundo. Brasileiros.

O paraíso existia realmente. O paraíso era aqui.

 
MAS FALTAVA ALGO

Faltava a liberdade.

A consciência política de ser brasileiro saiu de um cadinho onde gerações derramaram seu sangue, seu suor, e onde plantaram também seus sonhos. Junto com o sentimento de patriotismo veio a percepção de uma cultura própria, de uma identidade nacional.

Ao proclamar a Independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga no dia 07 de setembro de 1822, o então príncipe D. Pedro de Alcântara talvez não tivesse plena consciência disso tudo - afinal de contas era relativamente jovem e tinha pouca experiência política. Só não era, porém, cego ou desprovido de inteligência: ainda repercutia em sua lembrança o júbilo do povo brasileiro ao proclamar que ficava no Brasil, a despeito da ordem dada pelo pai, D. João VI, para voltar a Lisboa. Por outro lado, D. Pedro também tinha certeza que essa ordem não havia partido diretamente do velho monarca, mas sim das Cortes Portuguesas, que a todo custo tentavam colocar rédeas curtas no poder real - algo que ele, um nobre autocrático e absolutista, jamais poderia aceitar de bom grado.

Assim, só havia uma decisão possível de ser tomada: seguir à risca o conselho dado pelo mesmo D. João VI, e lançar mão da coroa do Brasil antes que algum aventureiro fizesse isso. Sim, porque os brasileiros não iriam acatar passivamente o retorno do país à condição de simples colônia, conforme planejavam fazer as Cortes ao extinguirem a figura do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve - intento esse a ser consumado tão logo o príncipe regente, no caso ele próprio, D. Pedro de Alcântara, estivesse em Lisboa.

Haveria revolução, claro. E embora a luta que daí resultasse fosse dura e de prognóstico algo incerto a princípio - convinha lembrar que a administração do país estava totalmente em mãos portuguesas, assim como o exército e a marinha -, o movimento para libertar o Brasil seria irresistível.

Então, mui naturalmente até, D. Pedro de Alcântara apostou todas as suas fichas na força do novo e chamou para si a responsabilidade de ser o paladino da Independência: queria libertar o país do julgo de Portugal - das Cortes, sobretudo. Queria também a Coroa. Por isso lançou-se à guerra de libertação pela graça de Deus e pelo Império absolutista que sonhava erguer nas terras do Brasil.

 
ENQUANTO ISSO, NO MARANHÃO...

Às vésperas da Guerra de Independência do Brasil, a lealdade do povo maranhense estava com a Coroa Portuguesa.

Mas é preciso que se explique uma coisa importante: existia o Brasil e existia o Maranhão.

Durante toda a fase colonial, o Maranhão ficou praticamente apartado do resto do país - tinha mais contato com Portugal do que com o Rio de Janeiro ou Salvador.

Após aprenderem as primeiras letras na cidade, os bem-nascidos de São Luís cruzavam o Mar Oceano para estudar em Coimbra, Porto ou Lisboa. O comércio da cidade, responsável pelo escoamento dos gêneros produzidos no interior do Estado e por onde entravam todos os bens importados, voltava-se preferencialmente para a Metrópole. Respirava-se a cultura portuguesa em todos os quadrantes do Maranhão, e São Luís não era brasileira no sentimento, porque se mantivera por muito tempo afastada do resto do Brasil, nem tampouco na aparência, pois seu traçado urbano e sua arquitetura eram típicos das cidades do Reino.

Para completar, sob o sol do Equador falava-se um português tão castiço, tão cheio de locuções pesadamente lusitanas, que esse sotaque aflorava naturalmente mesmo naqueles que, nativos, jamais haviam deixado os limites da Ilha Grande.

 
POR ISSO
Os rumores da insurreição capitaniada por D. Pedro de Alcântara contra Portugal foram ouvidos por estas bandas com um misto de indignada surpresa e forte repúdio por parte das autoridades constituídas, no que foram seguidas - diga-se de passagem - por boa parte da população de São Luís, que contava com grande contingente de portugueses de nascença.

Não obstante esse sentimento contrário por parte dos maranhenses, o grito de Independência ou Morte, lançado às margens do Rio Ipiranga, ecoava de norte a sul do país, ganhando força e consistência: logo chegou ao Ceará, o que foi visto com extrema preocupação pela Junta Provisória que governava o Maranhão desde 15 de fevereiro de 1822, data em que fora eleita segundo determinava o decreto legislativo enviado pela Assembléia do Reino em 29 de setembro de 1821.

O presidente da Junta Provisória e Administrativa do Maranhão, o bispo D. Joaquim de Nazaré, apressou-se em declarar que desconhecia a autoridade revolucionária assumida por D. Pedro de Alcântara. Homem de Deus e da Coroa, D. Joaquim sabia apenas que a lealdade da sua província era devida à Casa de Bragança, representada por D. João VI, e à Constituição Portuguesa que fora jurada solenemente na Catedral de São Luis em 19 de agosto de 1821. Apressou-se, portanto, em acordar com os governos vizinhos do Piauí e do Pará um compromisso de mútua assistência na manutenção da legalidade. Também tratou de retransmitir a Lisboa todos os expedientes e despachos que recebia do Rio de Janeiro.
 
MAS A SITUAÇÃO SE COMPLICAVA
E rápido.

No dia 18 de outubro de 1822, a Vila de São João da Paraíba, situada no Piauí e logo em frente à de Carnaubeiras, no Maranhão, declarou que aderia à Independência do Brasil. Foi um golpe duríssimo na autoridade da Coroa, embora o estrago causado fosse mais psicológico que propriamente estratégico e militar.

Quando a notícia circulou em São Luís, causou profunda consternação, mas a Junta Provisória agiu rapidamente. Primeiro, tratou de distribuir uma solene proclamação ao seu povo, estigmatizando com severidade o ato vil dos traidores do Piauí, e alertando ainda sobre a demagogia falaciosa existente nas palavras dos sublevados. Depois, concitou o povo à resistência, à manutenção da ordem e à comunhão com Portugal.

Havia, no entanto, um germe de dissensão em São Luís. Pessoas de certa proeminência social, tais como os bacharéis José Mariano Ferreira e Francisco Corrêa Leal, entre outros, começavam a proclamar que resistir a um movimento gerado pelo determinismo histórico, tal como o que estava se desenrolando no Brasil, era uma insanidade. Não se detinha a História quando ela punha em marcha suas imensas rodas. Por outro lado, argumentavam, seria preferível que a adesão à inevitável Independência do Brasil fosse uma iniciativa de São Luís, ao invés de ser imposta a partir do interior do Estado, o que talvez desencadeasse o caos e uma efusão de sangue.

Toda esse pregação começou a ser bem recebida pelo povo, tanto que as proclamações da Junta, quando fixadas em lugares públicos, precisaram daí para frente ser guardadas por sentinelas armadas, sob pena de serem destruídas durante a noite.

D. Joaquim de Nazaré, presidente da Junta Provisória, orou a Deus pela causa da legalidade, mas, por via das dúvidas, sabendo quão frágeis eram as suas forças armadas, tratou também de despachar com urgência para Lisboa o Sargento-mor de Milícias José Manuel Rodrigues Pançadilha com pedido de urgente reforço, porque era preciso se preparar para a guerra.

Os brasileiros estavam se aproximando do Maranhão.



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