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MATÉRIAS ESPECIAIS | A viagem de Daniel


De certa forma, a fundação de São Luís em 1612 possui uma estreita relação com um fato ocorrido cento e dezoito anos antes, mais precisamente a 07 de julho de 1494. Nesse dia, na pequena cidade espanhola de Tordesilhas, foi firmado um dos mais surpreendentes e inusitados tratados da História. Com as bênçãos da Igreja Católica, o mundo que existia para além da Europa foi naquela ocasião dividido em dois hemisférios - separados por um meridiano que se estendia a 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo Verde. As terras situadas a leste desse meridiano caberiam a Portugal, enquanto que as situadas a oeste à Espanha.

Senhores incontestes do Mar Oceano, que haviam desbravado ao custo de imensos sacrifícios de vidas e recursos materiais, portugueses e espanhóis proclamaram-se mutuamente donos de todo o chamado Novo Mundo - conhecido e ainda por descobrir.

Segundo a tradição, é atribuída ao Rei da França, Francisco I, a anedota onde ele dizia desconhecer, no testamento de Adão, a cláusula em que esse ilustre antepassado de todos os homens deixava o mundo apenas para Portugal e Espanha.

Séria, mesmo, foi a reação do soberano francês, que passou a incentivar seus nobres e marujos a conquistarem os mares e terras ditos de Portugal e Espanha. E eles assim o fizeram: chegaram ao Canadá, ao Brasil, à Flórida, às Guianas. Estabeleceram feitorias e postos avançados. Extraíram as riquezas naturais das terras desguarnecidas. Comerciaram com os nativos e quiseram se estabelecer definitivamente no Novo Mundo.

Em 1555, Villegaignon fundou, no Rio de Janeiro, a França Antártica.

Cinqüenta e sete anos depois, foi a vez de Daniel de La Touche fundar, no Maranhão, a França Equinocial.

Antes disso, porém, coube a Jacques Riffaut ser o primeiro europeu a pisar na Ilha Grande - ou Upaon-Açu, na linguagem dos nativos -, onde estabeleceu uma feitoria em 1594. Ansioso por consolidar essa conquista, ele retornou à França, pretendendo reunir maiores recursos e homens para a empreitada.

Jamais voltou ao Novo Mundo.

Seu lugar-tenente na Ilha Grande, Charlex de Vaux, aprendeu a língua dos nativos locais e estabeleceu com eles uma relação bastante amistosa. Depois de esperar dois anos pela volta de seu chefe, ele também retornou à Europa.

Uma vez na França, e depois de muito insistir, Charles de Vaux foi finalmente recebido em audiência por Henrique IV. Numa explanação bastante eloqüente e apaixonada, demonstrou ao monarca a necessidade urgente da coroa francesa se apossar das terras do Maranhão, Upaon-Açu incluída, antes que os portugueses chegassem por lá.

Após ouvir esse relato, o Rei decidiu enviar o fidalgo Daniel de La Touche até a Ilha Grande, em companhia de Charles de Vaux, de forma a que o primeiro pudesse examinar pessoalmente a viabilidade de instalação de uma colônia francesa no local.

Cumprindo as ordens de seu soberano, Daniel de La Touche passa seis meses em águas do Maranhão. É bastante minucioso em sua análise, concluindo finalmente que fundar uma colônia em Upaon-Açu é um empreendimento viável. Entusiasmado, regressa à França, certo de contar com o favor real para a empresa pretendida. Mas, durante sua ausência, o Rei morrera assassinado e a situação política em Paris tinha sofrido uma grande reviravolta. Ainda assim, La Touche não desistiu. Depois de algumas idas e vindas, consegue uma entrevista com Maria de Medicis - mãe e regente da menoridade do futuro Rei Luís XIII - e obtém a tão desejada concessão para estabelecer a França Equinocial.

No entanto, mesmo com o apoio de um Rei, ou de quem quer que exerça o poder em seu nome, estabelecer uma nova colônia é uma tarefa complicada, difícil e bastante onerosa. Principalmente quando essa colônia fica do outro lado do oceano e em terreno hostil, embora abandonado. Foi por isso que La Touche tratou de arrumar sócios para a empresa. Sócios ricos: Nicolas Harlay, Senhor de Sancy, Barão de Moll e Grois-bois e Conselheiro do Rei; e François de Razilly, Senhor de Razilly e Aunelles, um dos expoentes da marinha francesa de então. Dividiram entre si os custos e organizaram a expedição - quinhentos homens, muitos deles bem-nascidos, e três naus: a Regente, capitânia, a Charlotte e a Saint Anne. Para trazer o favor de Deus à expedição, e a luz da verdadeira fé aos aborígines do Novo Mundo, juntaram-se ao grupo quatro missionários católicos, capuchos do Convento de Saint Honoré, em Paris.

Reunidos os recursos necessários, propício o tempo e todas as conjunções astrais, os expedicionários deixaram o Porto de Cancele, na Bretanha, ao amanhecer do dia 19 de março de 1612.

Teriam pela frente cento e tantos dias de viagem pelo Mar Oceano, sempre enfrentando a possibilidade de tempestades e naufrágios; depois, de lutas desesperadas e sangrentas em terra estranha. Mas eram todos, de certa forma, jovens. Tinham sonhos. Tinham esperanças. Desejavam o Novo Mundo e suas riquezas - acreditavam sinceramente que poderiam enfrentar todas as adversidades que porventura surgissem no caminho. E triunfar.


 

Veja também

[A carta de Maria de Medicis a La Ravardière, versão em francês]
[A carta de Maria de Medicis a La Ravardière, versão em português]




 


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