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MATÉRIAS ESPECIAIS | O início da revolta de 1950


O ano de 1950 anunciava dias melhores para o país.

Promulgada em 1946, a nova Constituição Federal havia devolvido a autonomia administrativa aos Estados, reconhecera o direito de voto das mulheres e adotara uma vez mais a independência entre os três poderes da República. O lixo autoritário acumulado nos anos da ditadura de Getúlio Vargas tinha sido finalmente queimado: todos os direitos individuais estavam agora assegurados, assim como a liberdade de expressão e de organização. Até a pena de morte foi abolida.

Respirava-se melhor no Brasil, e mesmo as crises, percalços e confrontos que marcaram o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra foram vistos como breves acidentes de percurso, não diminuindo em nada a empolgação do povo com o que a democracia tem de melhor: a esperança de que o próximo governo fará tudo o que seu antecessor não fez.

Naquele ano de 1950, esta esperança tinha data marcada para se renovar: 03 de outubro, quando então ocorreriam as eleições gerais para Presidente da República, Governadores, Deputados Federais e Estaduais.

Empol
gados, os candidatos à Presidência e seus cabos eleitorais percorriam o país de norte a sul, estabelecendo alianças e pactos nos Estados, atacando adversários, revidando. A campanha pegava fogo, e coitado de quem tivesse telhado de vidro...

Enquanto isso, no Maranhão, era o senador Vitorino Freire quem dava as cartas.

Pernambucano nascido na Fazenda Laje da Raposa, município de Pedra, Vitorino Freire havia apoiado o Governo Federal durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e, com a vitória deste, ganhara em reconhecimento um cargo no Departamento Nacional de Saúde Pública, de onde saiu para exercer a chefia da secretaria-geral do Maranhão - convidado que foi pelo próprio interventor designado para o Estado, o capitão Antonio Martins de Almeida.

No desempenho do cargo, Vitorino cumpre muito bem todas as tarefas que lhe são confiadas, tornando-se ainda responsável pela condução da política estadual, além da organização dos quadros do Partido Social Democrático (PSD), base de apoio de Getúlio Vargas.

Empolgado com os sucessos obtidos na esfera administrativa, Vitorino precipita-se - superestimando seu cacife político, dá um passo em falso que lhe custará muito caro: candidata-se a deputado federal, mas é derrotado. Pior: fica sem espaço político no Estado, sendo com isso obrigado a retornar ao Rio de Janeiro.

Contudo, sua estada na Capital Federal foi relativamente curta.

Em 1936, com o impeachment de Aquiles Lisboa, que sucedera Martins de Almeida no Governo do Maranhão, Vitorino volta a São Luís e assume a chefia do Executivo, depois de grave período de crise. Mas não chega a ter tempo de saborear o gosto dessa vitória. Em 1937, Getúlio Vargas decreta o Estado Novo, nomeia um interventor para o Maranhão e alija Vitorino do poder. Jamais será perdoado por isso.

O tempo passa.

Com o fim da ditadura Vargas, em 1945, Vitorino retorna uma vez mais ao Estado, assume novamente o comando do PSD e assegura ao então candidato a Presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra, vitória consagradora no Maranhão. Com isso, cai nas boas graças do governante eleito, projeta-se nacionalmente, passa a ter influência e poder. De 1945 a 1948 estabelece seu mando de campo - nada acontece no Maranhão sem a sua chancela. Mas não é um líder inconteste. As Oposições Coligadas, grupo formado por políticos de diversos partidos, fazem de tudo para desestabilizá-lo, embora não cheguem a efetivamente abalar seu poder.

Só que a política é dinâmica por natureza, e nem sempre um correligionário permanece fiel a vida toda.

Depois de uma série de desentendimentos políticos e administrativos, o vice-governador do Maranhão, Saturnino Bello, rompe com Vitorino, adere às Oposições e anuncia que é candidato ao Governo do Estado. É um inimigo poderoso. Com este fato novo, a eleição de 03 de outubro de 1950, que antes poderia ser considerada um passeio no campo, assume agora feições mais sombrias.

Pela primeira vez em muitos anos, Vitorino está na defensiva.

E para complicar ainda mais a situação, no dia 03 de agosto de 1950, exatamente dois meses antes das eleições, o governador de São Paulo, Ademar de Barros, em campanha para fortalecer a candidatura de Getúlio Vargas à Presidência da República, desembarca no Aeroporto do Tirirical e é entusiasticamente saudado pela multidão ali reunida para recepcioná-lo. Conclamada pelas Oposições Coligadas, a população de São Luís pára a cidade naquela tarde, cerrando as portas do comércio e das indústrias.

Vitorino Freire considera-se particularmente insultado pelas Oposições: é inimigo ferrenho do governador paulista e também não esqueceu o que Getúlio Vargas lhe havia feito em 1937. Manobrando atrás das cortinas do Governo do Estado, onde era de fato quem mandava, reage imediatamente - e o faz de forma muito pouco sutil. Primeiro, trata de achar os meios de proibir administrativamente o comício de Ademar de Barros programado para acontecer na Praça João Lisboa, então o ponto nevrálgico da vida política, econômica e social da cidade, conseguindo transferi-lo para a Praça Deodoro, bem mais distante. Depois, na hora exata em que o governador de São Paulo discursa para o povo, toda a corrente elétrica do centro é simplesmente desligada por ordem expressa vinda do Palácio dos Leões, sede do governo.

A manobra é rasteira, indigna, causa revolta extrema e, no final das contas, não surte qualquer efeito prático: com o auxílio de um serviço de alto-falantes contratado às pressas, Ademar de Barros continua seu discurso inflamado, e a multidão reunida na Praça Deodoro vai potencializando a sua revolta e o seu descontentamento contra o governo - até o ponto em que, mesmo o mais comedido dos manifestantes, perde as estribeiras.

Assim, açulado por seus correligionários e pelo povo, o chefe político de PSP, Clodomir Millet, resolve liderar uma passeata cívica até a Praça João Lisboa. A seu lado no palanque improvisado, Ademar de Barros resolve participar também dessa manifestação e, junto com os demais líderes oposicionistas maranhenses, desce a Rua da Paz até a confluência desta com a Praça João Lisboa, local onde são encurralados pelas tropas da Polícia Militar.

Ameaçados sem cerimônia pelas armas engatilhadas e dando ouvidos à prudência, os líderes políticos da oposição resolvem recuar.

O povo, no entanto, não pára, e parte para o confronto direto com a Polícia.

Usando paus e pedras, gritando palavras de ordem, insultando o governo e seus mais visíveis representantes, a multidão irrompe pela Praça João Lisboa, partindo furiosa para depredar a sede do Diário de São Luís, jornal situacionista até a medula. É recebida à bala pela Polícia Militar, sofre algumas baixas, mas vence a batalha e ocupa a praça e o Largo do Carmo, iniciando um período de quase quinze anos em que São Luís do Maranhão esteve praticamente em estado de sítio permanente.





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