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MATÉRIAS ESPECIAIS | A carta de Arthur Azevedo

Como o nosso Manoel Cotta
Mandou pelo Macieira
Um molho de vinagreira
Lá de Jacarepaguá,
Num delicado bilhete
Me perguntas, caro amigo,
Se quero amanhã contigo
Comer arroz-de-cuxá.

            Que pergunta! pois ignoras
            Que sou, por este petisco,
            Homem de andar ao lambisco
            Ora aqui, ora acolá?
            Pois não sabes tu que, apenas
            Eu me apanhei desmamado,
            Me atirei como um danado
            Ao belo arroz-de-cuxá?

Gosto de peru de forno,
Gosto de bifes de grelha,
E tenho uma paixão velha
Por torradinhas de chá;
Mas nos pitéus e pitanças
Que custam tanto e mais quanto,
Nunca achei o mesmo encanto,
Que achei no arroz-de-cuxá!

            Visitei o velho mundo
            E, nos restaurantes caros,
            Os acepipes mais raros
            Comi que nem um paxá;
            Mas, quer creias, quer não creias,
            Nenhum achei mais gostoso,
            Mais fino, mais saboroso
            Que o nosso arroz-de-cuxá!

A tua "Mulata velha"
É com razão orgulhosa
Da moqueca apetitosa,
Do doirado vapatá;
Mas, baiano, tem paciência;
Forçoso é que te executes!
Nada valem tais quitutes
Ao pé do arroz-de-cuxá.

            Eu tenho muitas saudades
            Da minha terra querida...
            Onde atravessei a vida
            O melhor tempo foi lá.
            Choro os folguedos da infância
            E os sonhos da adolescência;
            Mas... choro com mais freqüência
            O meu arroz-de-cuxá

Porque - deixa que t'o diga:
Esse prato maranhense
Ao Maranhão só pertence
E noutra parte não o há.
Aqui fazem-no bem feito
(Negá-lo não há quem ouse);
Mas... falta-lhe
quelque chose:
Não é o arroz-de-cuxá.

            Pois aqui há bom quiabo
            E bem bom camarão seco;
            Há vinagreira sem peco;
            Bom gergelim também há!
            E o prato, aqui preparado,
            Do nosso mal se aproxima!
            Acaso também o clima
            Influi no arroz-de-cuxá?

Ora! qual clima! qual nada!
É o mesmo quitute, creio;
Falta-lhe apenas o meio;
Nos seus domínios não está
No Maranhão preparado.
Naturalmente acontece
Que sendo o mesmo, parece
Ser outro arroz-de-cuxá.

            Eu, quando o como, revejo,
            Entre a cheirosa fumaça,
            Passado que outra vez passa,
            Com que eu não contava já;
            Portanto, não me perguntes...
            Não me perguntes, amigo,
            Se eu quero amanhã, contigo,
            Comer arroz-de-cuxá.

Pergunta se quer o espaço
O passarinho que adeja;
Pergunta se a flor deseja
O sol que a vida lhe dá;
Pergunta aos lábios se um beijo
Aceitam quente e sincero;
Mas não perguntes se eu quero
Comer arroz-de-cuxá...

             Como a criança quer leite,
            Jóias a dona faceira,
            Fitas a velha gaiteira,
            E um maridinho a sinhá;
            Como o defunto quer cova,
            Quer o macaco pacova
            Eu quero arroz-de-cuxá!

Febricitante, impaciente,
Cá fico as horas contando!
Do bolso de vez em quando
O meu relógio sairá.
E amanhã, às seis em ponto,
Irei com toda a presteza,
à tua prodigiosa mesa,
Comer arroz-de-cuxá.


Iconografia



[Foto: Arthur Azevedo]



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