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A CIDADE    |    Ecos do Passado - Flash 06
 
Onde se conta sobre a tentativa
de tomada do Palácio dos Leões em 1956

DEPOIS DA POSSE DE JUSCELINO

O Brasil parecia finalmente ter entrado nos eixos.

Parecia.

A verdade é que a eleição geral de 1955 havia deixado profundas seqüelas políticas no país, e elas não estavam absolutamente superadas naquele dia 31 de janeiro de 1956, data da posse do novo presidente da República.

Se, por um lado, é certo que àquela altura dos acontecimentos os principais envolvidos na tentativa de impedir a posse de Juscelino e Goulart estavam já neutralizados pela firme ação do general Lott, por outro era preciso admitir também a existência de um elevado grau de inquietação nos quartéis.

E foi justamente dos quartéis que emergiu a primeira séria crise do governo Juscelino, apenas duas semanas depois de sua posse: a revolta de Jacareacanga.

Embora dominada em apenas dezoito dias, essa rebelião, no entanto, deixou as instituições democráticas com os nervos à flor da pele e envenenou a atmosfera política do país com um pesado odor de conspiração. Tudo podia acontecer, e por certo não faltou quem apostasse no recrudescimento da crise. Mas aí então é que a verdadeira estatura política de Juscelino pôde ser mensurada pela primeira vez no cargo maior da República: ao invés de partir para a retaliação pura e simples, ele concedeu o perdão aos revoltosos. Aos poucos, a situação se acalmou e a ordem foi restabelecida.

Agora sim o Brasil parecia finalmente ter entrado nos eixos.

 
MAS NO MARANHÃO...

Engalfinhados já há bastante tempo numa cruenta batalha, as Oposições Coligadas e o grupo político comandado pelo senador Vitorino Freire protagonizaram mais um espetacular round dessa luta na eleição de 1955.

Em meio a uma avalanche de denúncias de lado a lado sobre irregularidades cometidas no pleito, uma série de recursos foi impetrada no Tribunal Superior Eleitoral e no Tribunal Regional Eleitoral. Como resultado, enquanto os outros estados da federação empossavam seus governadores, o Maranhão via chegar 1956 com o cargo vago, exercido interinamente pelo 1º Vice-presidente do Poder Legislativo - vitorinista -, e na dependência de que fossem marcadas e realizadas eleições complementares e suplementares.

Então, aconteceu a eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa - fundamental para os destinos do Estado, visto que dali sairia o governador em exercício.

Numa sessão tumultuada, onde não faltaram agressões de parte a parte e até uma verdadeira batalha campal entre os deputados da oposição e da situação, o senador Vitorino Freire comandou a mais espetacular rasteira política da história republicana do Maranhão.

Embora detentor de uma base parlamentar cambiante, e mesmo tendo ficado numa situação delicada por alguns momentos - inclusive na iminência de perder a eleição da mesa da Assembléia pela diferença de um voto -, Vitorino conseguiu manobrar por baixo dos panos e dar a volta por cima. Agindo rápido, fez com que o Governador em exercício, o deputado Eurico Ribeiro, renunciasse ao cargo - decisão que deixou o Maranhão efetivamente sem comando no Executivo por várias horas -, forçou a presença dele no escrutínio e levou a melhor: elegeu a mesa da Assembléia como bem quis, mesmo sob os protestos das Oposições e com o forte cheiro de inconstitucionalidade no ar.

 
POR ISSO...
Inconformado com semelhante ardil, o capitão Antônio Alves Gondim tentou invadir o Palácio dos Leões com o objetivo de expulsar dali Eurico Ribeiro - novamente exercendo o cargo de Governador, conforme era sua prerrogativa como 1º. Vice-presidente eleito da Assembléia Legislativa - e o senador Vitorino Freire, o verdadeiro mandatário do Estado.

Foi, de fato, uma tentativa de quartelada com clara motivação política.

Oficial com longa folha de serviços prestados à Polícia Militar, onde ingressara ainda bastante jovem e em cuja hierarquia havia ascendido graças à competência e bravura, Gondim atuara decisivamente em vários episódios cruciais para a história do Maranhão em meados do século XX.

Sob seu comando, por exemplo, as forças da polícia enfrentaram a população de São Luís na praça João Lisboa, em 1950, quando as Oposições Coligadas, juntamente com o então governador de São Paulo, Ademar de Barros, lideraram uma passeata cívica em protesto contra o governo e Vitorino Freire, tendo o episódio resultado na morte de uma pessoa, o operário João Evangelista. Foi também sob seu comando que ficaram as tropas responsáveis pela segurança do Palácio dos Leões durante os tensos dias da memorável greve de 1951, onde São Luís esteve praticamente em estado de sítio.

Por essas ações, e pelo empenho nelas demonstrado, poucas eram as pessoas capazes de duvidar que aquele jovem capitão fosse outra coisa além de um fiel defensor do PSD e do vitorinismo. No princípio, talvez até estivessem certas quanto a isso - mas as idéias mudam e os homens mudam com elas. Assim aconteceu com Gondim: seu viés político foi aos poucos se modificando e veio à tona sua vocação oposicionista.

Antes mesmo de comandar a tentativa de tomada do Palácio dos Leões, ele já havia se envolvido em dois outros episódios que lhe custaram alguns dias de detenção cada um. O primeiro ocorreu no dia 30 de setembro de 1955, um pouco antes da eleição majoritária marcada para outubro, onde enfrentou um destacamento da polícia que fora enviado à sede da Rádio Ribamar para prender lideranças da Oposição que, num programa ao vivo, defendiam a candidatura do brigadeiro Cunha Machado ao governo do Estado e batiam forte no PSD de Vitorino Freire. Graças à sua intervenção os oposicionistas não foram presos ou agredidos. Da outra feita, no dia mesmo da eleição, 03 de outubro de 1955, armou o maior imbróglio numa seção eleitoral de São Luís, onde a mesa receptora de votos era suspeita de estar praticando uma fraude para beneficiar o governo.

Depois da primeira prisão, Gondim tornou-se um feroz partidário da luta política das Oposições Coligadas contra o senador Vitorino Freire. Embora permanecesse militar da ativa, integrou-se de corpo e alma no movimento que tentava viabilizar a eleição de Cunha Machado ao Palácio do Leões. Como não poderia deixar de ser, essa atitude lhe grangeou franca hostilidade do comando da Polícia Militar e dos governistas.

Marginalizado na polícia, mas saudado com franca simpatia pela população de São Luís, Gondim não conseguiu controlar a angústia íntima que foi acumulando dentro de si ao ver todas as estratégias legais adotadas pelas Oposições, visando derrotar o PSD de Vitorino, redundar em fracasso total. Para ele, a gota d' água foi a eleição da mesa da Assembléia Legislativa, que reconduziu Eurico Ribeiro, na fímbria da legalidade, ao cargo de governador em exercício do Estado - embora reconhecendo a ilicitude do ato, decidiu partir para a ação efetiva e derrubar o governo do Maranhão à força.
 
A TENTATIVA DE GOLPE
Aconteceu na madrugada do dia 03 de maio de 1956 e desencadeou uma verdadeira batalha campal, muito embora os moradores próximos ao Palácio dos Leões a princípio pensassem que o barulho dos tiros fosse, na verdade, fogos de artifício disparados pelos partidários do governo, ainda comemorando a eleição de Eurico Ribeiro, acontecida na tarde do dia anterior.

À frente de alguns poucos soldados nervosos e mal-treinados, o capitão Gondim passou toda a madrugada trocando tiros com a guarda do Palácio, que fora previamente alertada sobre o movimento. Com o passar das horas, as tropas leais ao governo foram reforçadas, dominaram os revoltosos que haviam sido deixados no quartel e aprisionaram suas sentinelas avançadas.

O cerco que as forças legalistas impuseram foi apertado com firmeza e o tiroteio arrefeceu aos poucos. Na manhã do dia 03 de maio, sozinho, Gondim ainda resistia - e se entregou apenas depois de receber todas as garantias de que sua integridade física seria preservada. Após depor as armas, foi preso e conduzido ao quartel do 24º Batalhão de Caçadores do Exército.

O saldo da batalha foi um morto - Oreste Lima Pereira, funcionário da Rede Ferroviária, que teve morte instantânea após ser atingido por uma bala perdida - e um ferido, Joaquim Rocha de Sousa.
 
O QUE SE SOUBE DEPOIS
Pela imprensa oficial foram notícias defasadas, intencionalmente vagas, e um curto comunicado do Gabinete do Governador dava ciência de que o movimento sedicioso acontecido na madrugada do dia 03 contara com a participação de apenas um oficial e alguns poucos praças, tendo sido rapidamente dominado pela própria Polícia Militar. A intenção do governo era clara: demonstrar que mantinha o firme controle da ordem, evitando dessa forma que fosse sequer cogitada a hipótese de uma intervenção federal no Estado - sonho longamente acalentado pelas Oposições.

Mas São Luís permaneceu imersa num clima de considerável tensão por vários dias. Os boatos se multiplicavam, assim como as versões sobre o ataque ao Palácio. Periódicos simpáticos às Oposições, tais como o Jornal do Povo e o Jornal do Dia, fizeram cerrada campanha para que fosse quebrada a incomunicabilidade imposta ao capitão Gondim, àquela altura preso no quartel do 24º Batalhão de Caçadores. Não demorou muito e a figura do bravo capitão tornou-se mitológica em todo o Estado.

As Oposições Coligadas tinham, enfim, seu herói.
 
P.S.

Depois do episódio de Jacareacanga, o motim acontecido em São Luís deixou mais uma vez sobressaltado o governo federal. O Ministro da Guerra, general Lott, apesar dos comunicados tranquilizadores do governador Eurico Ribeiro, colocou as tropas da 10a. Região Militar - que englobava o Maranhão -, em estado de alerta, prontas para qualquer eventualidade.

O temor, real, era que a rebelião maranhense pudesse suscitar outros possíveis movimentos conspiratórios no país - o que felizmente não veio a ocorrer.

Depois de alguns adiamentos, o capitão Gondim foi julgado e absolvido no dia 11 de julho de 1956.


Matérias Relacionadas

 [Relato do capitão Gondim sobre a sublevação de 1956]
 [General Lott]
 [Juscelino Kubistchek]



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