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A CIDADE    |   Capitão Gondim e o episódio de 1956


No quartel, organizei, com muita dificuldade, uns trinta homens, constituí três peças de metralhadoras 'Ina'. Achando que a missão de ir ao Palácio era muito delicada, tomei-a para mim, deixando a segurança do quartel entregue a quatro sargentos, onde se encontrava metade da tropa. Feito isto, reuni, ligeiramente, o elemento humano disponível, dando a conhecer a todos os objetivos do movimento. Naquela altura dos acontecimentos, já havia desarmado e prendido o Oficial-de-Dia Antonio Soares e o sargento Arnold Ferreira, que se recusaram a cumprir minhas ordens. Enquanto cuidava de orientar a tropa, o sargento Aurindo Penha Castro, mais conhecido como Piauí, e outros soldados, conseguiram fugir do quartel e foram avisar em Palácio o que estava se passando na PM. Nesse instante, não comportava mais recuos, porque, então, seria um fracasso. Senti indecisão em alguns homens, por isso retardei um pouco a marcha em direção ao Palácio. Logo em seguida, levando duas peças pesadas e deixando outra para cobertura no quartel, iniciei a escalada pela rua da Palma.

Observando estar de prontidão a Guarda Civil, que, além da sentinela regulamentar, tinha outras avançadas nas ruas Henriques Leal e 14 de Julho, procurei desarmá-las cuidadosamente. Parei, depois, em frente à Central de Polícia, mas não tomei conhecimento dos policiais que lá se encontravam, tão pouco eles se preocuparam comigo.

Prossegui a marcha, dobrando o beco do Comércio e a rua Portugal, para atingir as ruas Joaquim Távora, Djalma Dutra e Newton Prado, locais em que recebi os primeiros tiros de metralhadoras, vindos do Palácio, porque já estavam preparados para reagir. Nessa circunstância, tinha de dar sinal de vida, pois chovia bala a torto e a direito. Imediatamente, respondi com alguma rajadas. De um lado e de outro, tiros continuavam a ser detonados. Numa das vezes, para não mostrar que estava sem condições de enfrentar a guarda palaciana, tive de mudar a posição de uma das minhas peças, o que me possibilitou trocar tiros até o amanhecer do dia.

Enquanto resisti, com os homens que me eram fiéis, a segurança do quartel caiu de modo impressionante. Os soldados ficaram apavorados com a chegada do coronel Amorim, comandante da PM, e se entregaram. As coisas, que já estavam difíceis, mais feias ficaram, principalmente depois que alguns oficiais desarmaram e prenderam as sentinelas avançadas sob meu comando. Até uma cilada foi armada contra mim, quando o coronel Amorim mandou o soldado Amorim, que se dizia meu amigo, usando sua superioridade física, me desarmar. Mas desconfiei da armadilha e não caí nela.

Por volta das 6:30 horas, inesperadamente, vi sair do mirante da rua Joaquim Távora o meu colega, capitão Eurípedes Bezerra. Através de um apelo patético, pedia para eu não prosseguir na luta, tentando mostrar que, se continuasse, ela poderia ser desigual para mim. Invocou a nossa velha camaradagem, nosso tempo de serviço juntos, e por fim, a amizade que unia as nossas famílias. Disse a Eurípedes que nada me faria arredar daquele lugar e só me afastaria da luta quando Deus o permitisse. Nisso, aproximou-se da rua em que eu me encontrava o capitão Emílio Vieira, com idêntico apelo, acentuando mais o nosso compadresco.

Mandei Emílio se aproximar, a fim de manter um diálogo mais de perto. Enquanto tentava convencer-me a depor as armas, chegaram os capitães Sadock, Jan Buhaten e Braga, que, autorizados pelo coronel Humberto Amorim, apresentaram proposta para que me demovesse do meu intento. Asseguravam que nada aconteceria contra a minha pessoa e asumiram o compromisso de junto ao governador Eurico Ribeiro garantir o meu mais amplo direito de defesa.

Após algum tempo de conversação, considerei justas as ponderações de meus colegas e resolvi entrar num acordo para ficar sob a responsabilidade do 24º. Batalhão de Caçadores, a fim de não sofrer represálias do comando da PM.


P.s - Antonio Alves Gondim faleceu em São Luís do Maranhão no ano 2005, aos 89 anos.

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