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Personagens da Cidade - Frei Cristóvão de Lisboa


Nascido na cidade de Lisboa em 25 de julho de 1583, Cristóvão Severim de Lisboa foi, desde o berço, uma pessoa predestinada a grandes feitos.

Filho de Gaspar Severim, sua ascendência remontava diretamente ao grande cronista português Rui de Pina - não é de se admirar, portanto, que tenha recebido desde criança uma esmerada educação.

Naturalmente dotado de fina perspicácia e arguta inteligência, Cristóvão de Lisboa logo se tornou um grande letrado. Bastante jovem ainda, já causava admiração sua vasta cultura humanística e a surpreendente habilidade que exibia na arte da oratória. Seu destino certo parecia ser a política: embora não fosse abastado financeiramente, tinha as necessárias conecções familiares, talento social e conhecimento de sobra para seguir uma brilhante carreira na Corte portuguesa. Mas não foi isso que aconteceu.

Foi chamado por Deus para o sacerdócio.

Ingressando na Ordem dos Capuchos, o agora frei Cristóvão de Lisboa logo se notabilizou pela qualidade de suas pregações e pelo poder de uma oratória perfeita, inflamada.

Galgou rapidamente uma série de importantes cargos dentro da hierarquia da Igreja: qualificador do Santo Ofício, guardião do convento de Santo Antônio de Lisboa, definidor da província, comissário da província de Portugal, bispo de Angola.

Em 1624 embarcou para o Brasil em companhia do primeiro governador do Estado do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho. Vinha como Visitador Eclesiástico e Comissário do Santo Ofício. Tinha também a missão de evangelizar.

Vivia-se, então, uma era sombria e violenta.

A Europa estava convulsionada, dividida por querelas religiosas entre católicos e protestantes e assolada por um dos mais violentos conflitos de sua história – a Guerra dos Trinta Anos, que desde 1618 vinha devastando nações inteiras e gerando montanhas de cadáveres.

No Brasil, como de resto em todo Novo Mundo, o panorama não era melhor.

O Nordeste brasileiro sofria uma ampla invasão holandesa, patrocinada pela Companhia das Índias Ocidentais. A licenciosidade imperava entre os colonos, a corrupção era endêmica entre as autoridades portuguesas e, para piorar um quadro já bastante caótico, as bandeiras patrocinadas pelos grandes proprietários rurais entravam sertão adentro em busca de mão-de-obra escrava para as lavouras, dizimando nesse processo tribos inteiras e gerando um perigoso clima de revolta entre os índios.

Segundo as instruções trazidas da Corte, a prioridade de Carvalho Coelho não era assumir de imediato o governo do Maranhão, mas permanecer em Pernambuco e ajudar de todas as formas possíveis a luta travada pelos brasileiros contra o invasor holandês. Frei Cristóvão, reconhecendo a inutilidade de permanecer ao lado do governador sem nada poder fazer para auxiliá-lo efetivamente, decide seguir adiante.

Acompanhado por dezoito missionários, iniciou a perigosa jornada rumo ao Maranhão. No Ceará, atendendo ao pedido do capitão Martins Soares Moreno, deixou dois de seus companheiros de viajem no forte de Nossa Senhora do Amparo e finalmente alcançou São Luís em 05 de agosto de 1624.

O povo e o capitão-mor receberam frei Cristóvão com toda cordialidade.

De posse dos documentos recebidos de D. Bartolomeu Ferreira, que administrava à época a Prelazia de Pernambuco, frei Cristóvão assumiu formalmente os encargos de primeiro vigário e provisor da paróquia do Maranhão.

Iniciou imediatamente seu trabalho missionário. Em apenas cinco dias providenciou para que o Convento, abandonado desde a mudança dos jesuítas para uma nova residência da ordem na região do Munim, fosse reconstruído - e lá abrigou sua companhia. Ao mesmo tempo, empreendeu todos os esforços para a construção, em terreno próprio, do Convento de Santa Margarida, inaugurado por ele em 01 de fevereiro de 1625.

Foi então que frei Cristóvão, no curso natural de sua visão de catequizador, mexeu num vespeiro – publicou um Alvará, em 15 de março de 1625, que tirava do poder dos colonos a administração dos índios.

A reação de descontentamento da população de São Luís foi imediata, e as autoridades locais temeram um levante geral, a exemplo do que já quase acontecera pouco tempo antes, quando a colônia esteve a um passo da insurreição aberta por conta da tentativa ensaiada pelos jesuítas de impedir que os colonos capturassem os indígenas para o trabalho escravo nas lavouras.

Inabalável em seu propósito de defender os nativos, frei Cristóvão viaja até Belém e, naquela cidade, tenta de todas as formas que a Câmara local, sob cuja jurisdição estava a de São Luís, determine a imediata execução de seu decreto - mas seus esforços nesse sentido não surtem qualquer efeito. Sob o argumento de que a decisão requerida era de competência exclusiva do governador, e achando-se esse ausente, a Câmara simplesmente cruza os braços e nada faz.

Frei Cristóvão acusa o golpe. Profundamente contrariado, deixa Belém e segue para o Tocantins, passando a seguir para o Cametá. Exerce com critério suas funções de Visitador Eclesiástico, fiscalizando as atividades dos missionários que realizam a catequese do gentio naquelas paragens - só não consegue esquecer a desfeita que fora imposta a si e a seu alto cargo.

Já de volta a São Luís, resolve radicalizar: em 21 de dezembro de 1625, na aldeia de Una, baixa uma provisão de excomunhão sumária contra todos aqueles que, de alguma forma, julga opositores de seu Alvará.

Se as relações entre a população e a Igreja já não eram boas, a partir daí pioram consideravelmente. Mais uma vez São Luís é sacudida por brados de revolta. Alarmadas, as autoridades resolvem intervir. Uma comitiva vai até Belém e consegue que a Câmara de lá reclame com veemência e condene como improcedente e injusta a decisão tomada por frei Cristóvão.

Aconselhado por amigos próximos, mais uma vez o Visitador é obrigado a ceder – ainda que a contragosto, suspende a excomunhão imposta aos seus desafetos. Sua indignação, contudo, não conhece limites.

Escrevendo ao Provincial de sua ordem, frei Cristóvão acusa os colonos de São Luís de irreligiosidade e, sem meias palavras, aponta todos os seus muitos vícios. Acusa também as autoridades locais - por ele julgadas coniventes com o estado de degradação moral da colônia – de violentas e corruptas. Ninguém é poupado: o capitão-mor Muniz Barreiros é tachado de falso e impiedoso; os jesuítas, em especial o padre José Figueira, de insufladores da população contra a sua autoridade. Sem hesitar, afirma que esses eram os grandes perseguidores da Igreja no Maranhão, “maiores que os hereges no Levante e os turcos em toda Ásia”.

Encontra consolo nas letras – começa a escrever a História dos Animais e Árvores do Maranhão. Não demora muito, viaja para o Ceará, mas em 23 de junho de 1626 é interceptado por um bando de guerreiros tapuias do Periá. Dá-se uma batalha feroz, e ironicamente frei Cristóvão é obrigado assumir o comando da luta – logo ele, um homem de Deus, defensor dos indígenas.

De toda sorte, consegue forçar sua passagem pelo meio dos selvagens, embora com a perda total da bagagem. Já abrigado no forte de Nossa Senhora do Amparo, no Ceará, considera mais prudente esperar pelo governador do Maranhão, Francisco Coelho de Carvalho, que só depois de dois anos auxiliando as autoridades de Pernambuco em sua luta contra o invasor holandês consegue finalmente dirigir-se a São Luís.

Em 03 de setembro de 1626, Muniz Barreiros, último Capitão-mor do Maranhão, transmite o poder ao novo Governador. Frei Cristóvão está presente à cerimônia e saboreia o momento, certo de que o estado de coisas na colônia irá mudar para melhor.

Mas nada melhora de fato, e ele logo perde as esperanças.

Desiludido, acossado sem trégua pelos constantes ataques dos desafetos, frei Cristóvão, em 02 de janeiro de 1627, pede aos seus superiores que o substituam. Quer ir embora de São Luís. Seu pedido, porém, é recusado, e não lhe resta alternativa senão a de seguir cumprindo suas obrigações da melhor maneira possível.

Logo acontece o inevitável – desentende-se com o governador.

Coelho de Carvalho, no início de 1629, havia baixado um decreto estipulando que as entradas para a captura de índios ficavam restritas a apenas duas por ano – e mesmo essas precisavam de sua prévia e expressa autorização, além de contar com a assistência de um capucho. Profundamente desconfiado de que a intenção do governador nada tinha de meritória, mas visava apenas obter lucro ilícito em cima das concessões, frei Cristóvão recusa-se a indicar algum de seus capuchos para servir de assistente nas entradas, alegando para tanto que os estatutos da ordem não permitiam semelhante missão.

Diante de tal negativa, o governador volta atrás e, com a desculpa de não querer causar prejuízos aos colonos, revoga o decreto. Frei Cristóvão ganha aí mais um antagonista.

Embora cada vez mais isolado na colônia, ele procura cumprir diligentemente todas as muitas obrigações impostas pelo cargo que exerce - ama a terra e o apostolado, e ao longo dos anos em que permanece em São Luís escreve grande parte de sua obra.

Quando finalmente regressa ao Reino, segue defendendo seus ideais e conquistando a admiração de todos com a força de suas palavras - profere uma série de famosos sermões, como o da 5ª. Sexta-feira da Quaresma, na Capela Real, em 27 de março de 1648. Torna-se um ardoroso defensor da soberania portuguesa, e é com galanteria que empunha essa bandeira até o final da vida.

Doente e cansado de tantas lutas, falece em 1652.

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